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Onda Latina

sexta
07.Ago 2020
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Eu não queria PDF Imprimir E-mail
Escrito por Bete Marun   
17-Jan-2009

riacadiwanlimet.ga Tropecei na calçada e acabei caindo bem em frente à farmácia onde havia acabado de comprar uns comprimidos para minha eterna azia. Na mesma hora a moça que acabara de me atender correu em meu socorro. Meu pé doía muito. Fingi que não havia acontecido nada. Senti-me extremamente envergonhado. Tentei me levantar e a dor obrigou-me a soltar um gemido e a continuar no chão. Um profundo sentimento de humilhação percorreu meu corpo até chegar no meu rosto desenxabido em aceitar a ajuda da moça.

Minha esperança era de que Suely não tivesse visto aquele meu fracasso. Mas ela também veio me socorrer. Assim, pensei, estava a descoberto a única coisa que eu não queria, ou seja, que ela soubesse o quanto a idade já me fazia tropeçar. Meus pés não se erguiam o bastante para evitar os desníveis da calçada. Lembrei-me de meu avô andando e arrastando as chinelas. 

Não é necessário, insisti, mas as duas me obrigaram a entrar na farmácia para examinar meu tornozelo.

Suely, a farmacêutica, me fez sentar numa cadeira, tirou meu sapato e com a discrição oriental ignorou o meu desconforto e inibição.

Tudo o que eu não queria era que ela entrasse na minha intimidade mesmo sabendo que ela ha muito fazia parte das minhas fantasias amorosas.

Sonhava com ela.

Eu vivia todos os dias da minha vida como se eles só existissem quando pensava em seus olhos esgazeados e refletia sobre eles. Como era difícil extrair deles alguma emoção!

Uma aspirina, vitamina "c", remédio para a pressão, diabete e sei lá mais que doenças os médicos haviam diagnosticado, mas eu inventava outras mais só para ir até a farmácia. A verdade é que eu não me importava com o que eles falavam. Sentia-me muito bem, mas aquele tombo me deixara humilhado diante dela e começava a trazer à consciência a idade que eu não queria ter.

Aquele era o primeiro contato entre meu corpo e as mãos dela e me deixava entre excitado e humilhado. Eu não sentia mais nenhuma dor no pé embora um calombo generoso surgia e estufava meu tornozelo. Nunca tínhamos trocado com ela nenhuma palavra além das formais. Ela não sabia que eu era um velho viúvo solitário que gastava quase toda a aposentadoria em remédios que nunca tomava. Que eu era um pobre coitado que tinha vivido sem nenhum sentido um casamento infértil com uma mulher estéril de sentimentos.

Eu nunca tinha tido coragem de dizer-lhe mais que "obrigado" enquanto ouvia outras pessoas declararem suas mazelas sempre em tons exagerados. Nenhum gesto de impaciência nenhum desvio de atenção. Suely escutava todos e com voz suave e dócil conseguia acalmar os clientes queixosos.

Ela foi buscar uma compressa gelada explicando que aquilo poderia evitar um derrame de sangue, mas que eu deveria procurar um Pronto Atendimento para verificar algum estragos maior no meu tornozelo.

Eu morava exatamente em frente à farmácia do outro lado da rua. Era um pequeno apartamento de sala, cozinha e banheiro locado em cima de um bar. E era lá que tomava meu café da manhã e minhas eventuais refeições. 

Ia Iá quase diariamente à farmácia só para vê-la e quando isso não era possível ou eu mesmo me censurava pela insistência, chegava até o mínimo terraço e tentava observá-la de longe. Ela provavelmente nem suspeitava da minha fixação. Não sabia que dera sentido à minha vida depois que eu começara freqüentar a farmácia. Viver por viver ou viver porque alguma coisa havia existido antes de mim ou porque nada que eu fizesse mudaria o que aconteceria-  "Mak Tub". Mas os olhos amendoados, a pele clara e a voz suave de Suely trouxeram à minha vida um prazer antes desconhecido.

Comecei a observar uma simples árvore que ornava a calçada.  A xícara de café que habitualmente tomava no bar não me parecia mais tão usada nem a manteiga rançosa. A segunda-feira não era mais tão tenebrosa como quando me aposentei. Sábado ou domingo também não se distinguiam mais dos outros dias. O único que me incomodava era o dia em que ela não vinha trabalhar. Eu ficava feito um bobo pensando e procurando coisas que pudessem me falar dela.

Várias vezes eu fui até o bairro da Liberdade só para andar pelas ruas e imaginar que poderia encontrá-la. Consolava-me entrando numa ou em outra loja para contemplar os olhos amendoados de suas irmãs. Cheguei até a entrar num daqueles restaurantes e comer o que provavelmente ela comeria.

O paladar há muito já não fazia mais parte dos meus sentidos. Antes, quando eles ainda eram vivos eu não me fixava muito nele e agora, com a vida avançada no tempo, me importava muito menos. Tudo tinha um gosto só. Comia para sobreviver.

Enquanto ela aplicava uma pomada e envolvia meu tornozelo com faixa eu me perdia em contemplá-la bem de perto. Deixava-me envolver pela sensação de paz e êxtase que ela me causava. Por que pela minha vida inteira não conseguira usufruir dessa sensação que se apossara de mim como se eu fosse um recém nascido? Amor? Não creio. Talvez um último apego à vida? Ou uma revelação do que eu nunca suspeitara existir em mim! A solidão talvez tivesse se refugiado em alguém para que eu pudesse existir mais alguns anos?

Quando chegava em casa depois de vê-la tudo mudava como se eu entrasse em outra casa. Depois, com o passar dos dias, essa sensação ia se esvaindo e o couro desgastado da minha poltrona favorita começava a me incomodar. Percebia então que era hora de ir à farmácia comprar qualquer remédio. Não me importava que eles se empilhassem nos armários, nas prateleiras e nas gavetas. O mal estar da vida só se desfazia quando me via diante dela.

Os olhos amendoados se dirigiam aos meus com simpatia eu os recebia como uma poção mágica que me tornava forte e viril. Mas, agora depois do que acontecera o que eu não queria ...não suportei a mudança.

Eu estava humilhado pelo tropeço. Era pequeno, fraco e velho. Precisava dela muito mais do que imaginara e isso me perturbava. Tentei me levantar da cadeira com o tornozelo enfaixado e firmar o pé no chão.

Recusei a ajuda de Suely e disfarcei a dor da transformação de seu olhar compungente. Disfarcei, agradeci e fui pra casa.

Nunca mais voltei à farmácia. Tomei todos os remédios recomendado pelos médicos e adormeci não sei se para sempre, mas com certeza para a fantasia que construí em volta de Suely.

follow link BETE MARUN, paulistana que se aventurou em contos eróticos (revista enter Status) descobrindo o prazer de escrever. Algumas outras publicações de contos, não necessariamente eróticos, me renderam outros prêmios e a publicação de um livro https://menswahrremeanistcong.tk O olhar do macaco. Cadastrada no en.sirekeko.tk Dicionário crítico de escritoras brasileiras, continuo brigando e me apaixonando pelas letras apesar de morrer de medo delas.
Atualizado em ( 17-Jan-2009 )
 
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