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Onda Latina

quarta
05.Ago 2020
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O investigador Medeiros ataca outra vez PDF Imprimir E-mail
Escrito por João de Almeida Furtado   
31-Mai-2011
as_joias_da_coroa.jpgCom este As joias da coroa (Alaúde, 2011), Álvaro Cardoso Gomes continua as aventuras de seu herói, o investigador Medeiros, lotado numa delegacia de um dos bairros mais violentos de São Paulo. Esse policial, incorruptível ate o último fio de cabelo e que usa métodos não muito católicos para o combate à marginalidade, já tinha comparecido em outros dois livros do autor, A boneca platinada (A Girafa, 2007), O comando negro (Globo, 2009). Curiosamente, há uma linha que une os três livros que, mais do que uma trilogia, compõem como que uma espécie de novela, na medida em que o desfecho de um romance dá início ao outro. As joias da coroa retoma personagens de O comando negro, mas, ao contrário da aventura anterior, em que predominava a ação espetacular, em que o herói enfrentava perigosos grupos de traficantes, aqui, a ação, de certo modo, se interioriza, fazendo que a parte mais importante do enredo venha a acontecer em interiores.

Medeiros, querendo ajudar um grande amigo, que, por sua vez, pretende ajudar uma parenta com um problema de furto de jóias, se vê envolto numa trama de traição, mistério, sequestro e morte. Persistente, corajoso, o investigador mergulha num mundo sórdido de interesses, procurando salvaguardar seus princípios mais caros. Mais propenso à atuação física, o herói vê-se obrigado, frente ao caso específico que precisa deslindar, a se refinar um pouco, especializando-se em áreas antes bastante desconhecidas para ele, como o das joias e pedras preciosas. É nessa modificação no comportamento do herói, que se encontra talvez a grande novidade desse último romance da trilogia.

Como pano de fundo ao caso de difícil solução, surge a cidade de São Paulo, retratada com bastante fidelidade. Desfilam diante dos olhos do leitor seus bairros nobres, com as mansões cinematográficas, o centro, com seus inferninhos e botecos sujos, a periferia, com os favelas, onde se movem tipos característicos de uma metrópole aparentemente sem lei. É neste espaço complexo, perigoso, em que os cidadãos pacatos são sempre espreitados pelos aproveitadores, que Medeiros, como um peixe dentro d'água, se move com extrema competência. Solitário, contando tão só com sua intuição e coragem e, ocasionalmente, com o auxílio de seus parceiros de polícia, o amigo do peito Bellochio e a bela Swallen, é obrigado a desdobrar-se, colocando em risco a própria vida, para tentar deslindar um caso para lá de complicado, que acaba envolvendo, além de um prosaico furto de uma joia, um sequestro de grandes proporções.

Não bastasse isso, o livro conta com poderosas cenas de ação e diálogos sibilinos, por meios dos quais se apontam pistas esclarecedoras ou se acobertam os verdadeiros motivos de ação de determinadas personagens. Isso obriga o leitor a usar de toda sua argúcia para acompanhar a aventura, o que faz que se identifique plenamente ao herói, a quem tem oportunidade de acompanhar passo a passo. A violência, retratada com crueza pelo autor, reflete, como não poderia deixar de ser, a violência das grandes metrópoles, em que os cidadãos, abandonados pelo poder público, se vêem desamparados e entregues à própria sorte. Entre muitos exemplos dessa crueza estilizada, podemos destacar uma em que Medeiros, ao presenciar um assalto ao bar de que é assíduo frequentador, obriga-se a intervir com toda sua força física, para evitar o massacre de inocentes por parte de uma dupla de marginais fortemente armados: "O vagabundo perdeu o equilíbrio e deixou cair a arma. Aproveitei pra empurrar o cara de encontro ao balcão. Começou a corcovear feito um potro, e eu ali, montado em suas costas, feito um peão de boiadeiro. Como era forte, se bobeasse, me derrubava. Sem perder tempo, dei-lhe uma testada na nuca. Com o golpe, bambeou as pernas. Agarrei o vagabundo pelos cabelos e enfiei a cara dele contra a quina do mármore do balcão. Escutei um plofe, o ruído da boca ou do nariz do corno arrebentando". Longe de ser gratuita, a violência reflete nada mais nada menos aquilo que acontece em nosso dia-a-dia: a liberdade com que bandidos atuam, face à inoperância da polícia e a conivência dos políticos.

Mas vale salientar também, ao lado dessa competência em montar um enredo dos mais movimentados, o saboroso uso da linguagem por parte de Álvaro Cardoso Gomes. Narrado em primeira pessoa, o livro registra diversos tipos de falas populares, compondo um mosaico coloquial, temperado com muito humor. Assim, Medeiros se revela um humorista involuntário, graças a seus comentários ácidos, a suas observações pertinentes, a sua descrição irônica das pessoas, como na seguinte passagem: "Meninas? As três juntas deviam ter a duração do Império Romano. (...) A Gladys, baixa e gordinha, tinha bochechas coradas, lembrando a figura da lata de sardinhas Rubi, a Edelweis, mais alta, era magra feito uma posta de bacalhau da Noruega, e a Domitília devia ter feito tanta plástica na cara que mal conseguia abrir os olhos. Parecia a manicure de Nefertite".

Construído com apuro e rigor de linguagem, tanto no que diz respeito ao retrato das personagens, quanto no que diz respeito ao mundo, de certo modo aristocrático, em que se inserem, ao mesmo tempo, tipos nobres refinados e tipos movidos pela ganância, pela cobiça mais vil, o romance, buscando suas raízes, faz interessantes ilações com filmes e autores policiais da tradição. Emocionante, cheio de idas e voltas, com um final surpreendente, como num bom conto de Edgar Allan Poe, A joias da coroa, certamente, prenderá o leitor do começo ao fim, deixando-o sem fôlego. Esse é o maior mérito deste livro que, na linha do romance noir, é uma obra inovadora dentro da Literatura Brasileira, tão carente desse tipo de ficção.

follow link João de Almeida Furtado é professor de Literatura Brasileira e autor de, entre outras obras, O romance noir no Brasil.

 

 

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riacadiwanlimet.ga Um trecho do romance:

 

"Pouco depois, chegava o bife do Maciel - sangrando, com bastante cebola e cercado de fatias de paio. Peguei um pedaço de pão e enfiei no molho. Antes que o levasse à boca, reparei em dois caras que entravam no boteco. Um deles era forte, tinha os olhos apertados, o nariz em forma de uma batata, os cabelos ondulados bem compridos e presos num coque, e seus dentes saltavam pra fora da boca, dando a ele o jeito de um javali. O outro era magro, com a cara parecendo a superfície da lua, de tão cheia de espinhas. Talvez fossem apenas garotos indo a um baile funk. Mas uma coisa me chamou a atenção: apesar da noite não estar fria, vestiam japonas e usavam toucas enfiadas até as orelhas. Isso me deixou desconfiado. Tentei fazer um sinal ao Baianinho, pra que ficasse esperto, mas ele estava distraído, com a cabeça baixa, conferindo a féria. Instintivamente, levei a mão à cintura, mas percebi que não tinha trazido meu .32. Se fosse um assalto, não teria o que fazer.

Não demorou pra eu saber que era mesmo um assalto. Enquanto o espinhudo seguia até o fim do corredor, chegando junto à janelinha da cozinha, o encorpado se aproximou do caixa. De repente, tirando de dentro da japona um Magnum, apontou pro Baianinho e berrou:

- É um assalto! Vai passando a grana!

Foi o sinal pro espinhudo sacar uma .380 e gritar:

- Quem mexer leva chumbo!

O Baianinho suspendeu a cabeça, assustado.

- Anda, a grana, fiadaputa! - tornou a berrar o javali, o Magnum tremendo em suas mãos.

Nervosismo ou efeito da droga? Tanto uma coisa quanto a outra eram péssimas. Qualquer vacilo, e ele atirava com aquele canhão. Fixei os olhos no Baianinho, enquanto lhe dizia mentalmente: "entrega a grana logo, entrega a grana logo", porque sabia que aqueles dois não estavam brincando. Mas, teimoso como ele só ou paralisado pelo medo, o caixa permanecia quieto, sem obedecer ao bandido.

- A grana, caralho! - o javali avançou o Magnum, que segurava com as duas mãos.

Nem assim o Baianinho obedeceu. Puta merda! O cara era louco. Estava assinando a sentença de morte.

- Apaga o corno! Mete o dedo nele! - berrou o espinhudo, lambendo os lábios.

Ouvi uma explosão. Atingido em cheio, o Baianinho voou do banquinho. No mesmo instante, escutei um ruído estranho - washhhhhh -, seguido do berro do espinhudo. Era o Maciel que tinha atirado o óleo fervente de uma panela na cara do vagabundo. Uivando de dor, ele deixou cair a pistola e começou a pular, como se tivesse febre de São Guido. O javali atirou duas vezes seguido contra os vidros da armação da cozinha, arrebentando tudo, e começou a recuar até se aproximar da minha mesa. Era o que eu esperava: voei nele e, ao mesmo tempo que lhe dava uma gravata, lhe torci o punho com o revólver. O javali perdeu o equilíbrio e deixou cair a arma. Aproveitei pra empurrar o cara de encontro ao balcão. Começou a corcovear feito um potro, e eu ali, montado em suas costas, feito um peão de boiadeiro. Como era forte, se bobeasse, me derrubava. Sem perder tempo, dei-lhe uma testada na nuca. Com o golpe, bambeou as pernas. Agarrei o vagabundo pelos cabelos e enfiei a cara dele contra a quina do mármore do balcão. Escutei um plofe, o ruído da boca ou do nariz do corno arrebentando. Puxei a cabeça dele de volta e dei mais duas pancadas, e o sangue começou a escorrer e a pingar da bancada. O javali amoleceu e se amontoou no chão sujo de bitucas de cigarros e cascas de amendoim.

- Pega o filho da puta! - escutei uma das garotas berrando e correndo ao encontro do espinhudo.

Catei o revólver do bandido, pulei o balcão e fui dar uma olhada no Baianinho. Encostado num refrigerador, os braços abertos, os olhos ainda cheios de pavor, tinha um rombo no peito. Puta merda! Por que não tinha entregado a grana? Só pra garantir a do patrão? Uma série de gritos me fez levantar o corpo. Era o espinhudo que gania. A cara queimada pelo óleo e sangrando, se encolhia num canto, enquanto recebia pancadas com garrafas de cerveja, saltos de sapato, a ponta rombuda dos cinzeiros. Pulei de volta o balcão, pra intervir, antes que dessem cabo do lazarento.

- Agora, chega!

- Deixa a gente acabar com o filho da puta! - disse uma neguinha, a Jasmim, soluçando. - Eles mataram o Baianinho...

Pensando bem, por que não deixava que fizessem isso? Era só virar as costas, ir pra casa, e o mundo se livrava daquele lixo. Contra a minha vontade, ordenei:

- Já disse que já chega! Vamos chamar a polícia.

Amarramos os vagabundos com pedaços de fio e corda que o Genivaldo providenciou. As meninas acenderam uma vela junto do corpo do Baianinho e começaram a rezar. Peguei o telefone e disquei 190. Depois, sentei na minha mesa. O bife estava lá, mas só de olhar pra ele sentia nojo. Mas a cachaça e a cerveja não desperdicei. Saboreei a bebida bem devagar, sem pensar em nada, a não ser que a vida, na maioria das vezes, era uma bosta. Puta merda, pobre do Baianinho...

Examinei o revólver do malandro. Que bela arma! Era um Smith & Wesson, modelo 686, de aço escovado, calibre .357 Magnum, com 7 cartuchos, cano de 4 polegadas. Onde um nó cego como o javali tinha arrumado uma joia daquelas? Muito provável, num assalto. Senti uma grande tentação de embolsar o revólver, já que meu Colt havia sido confiscado pelo Cebolinha. Mas, como tinha a perícia, não dava simplesmente pra sumir com a arma do crime.

Quando a polícia chegou, me identifiquei e relatei o fato pra um sargento da PM, que vinha acompanhado de um cabo armado com uma .12. Logo depois, chegaram o pessoal do IML e o carro de cadáver. Quando fui dispensado, entreguei um dinheiro pro Genivaldo:

- Pelo jantar. O resto da grana é pra ajudar no enterro do Baianinho."

Atualizado em ( 31-Mai-2011 )
 
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