click at this page Como localizar telefone e endereço Rastreador gps para celular download click the following article read more Como localizar Sistema Apps espiao para windows phone Baixar programa Reviews on mobistealth Espia de celulares para blackberry Aplicativos espiao gratis Mobile spy no jailbreak read more Spy app without target phone Rastreador de Espionar celular gratuito more info Aplicativo para rastrear celular pelo numero Como puedo Como espionar conversas do whatsapp de outra pessoa Rastrear celular samsung galaxy young Rastrear iphone Download spybubble trial version Como rastrear un celular entel Programa Free iphone Iphone 6s imessage spy Descargar Como funciona Aplicativo de rastreamento para o celular Camara click see more Software espião Como rastrear meu celular samsung galaxy young Como espiar telefonos celulares gratis Www spybubble android 4 radio apk Rastrear Escuta telefonica para celular spy camera phone charger zeus keylogger download erfahrungen handyortung kostenlos

Onda Latina

domingo
20.Ago 2017
Início
Adiós, Brasil PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jamil Alves   
11-Mai-2016
cordillera_-_jamil_alves_-_a.jpgÉ noite alta, Jean Antonie chega à rodoviária de São Paulo com poucos pertences e muitos sonhos: trocar o Atlântico pelo Pacífico, metaforicamente; ou, denotativamente, o Brasil pelo Chile, São Paulo por Santiago.

O Brasil, que era promessa de futuro para milhares de haitianos, está se tornando passado. "Não consigo mais pagar aluguel, água, luz e ainda por cima mandar dinheiro para a minha família no Haiti. As coisas aqui não são mais como eram quando eu cheguei", diz Jean num português fluente e ligeiramente afrancesado.

O ônibus que o levará de São Paulo a Santiago chega, sua expressão de cansaço dá lugar a um sorriso tímido. Observo sua roupa, touca, jaqueta grossa, meias, botas. Penso cá com meus botões que o outono no Chile haverá de desafiá-lo. Se sente frio em São Paulo, em Santiago sentirá mais. O inverno, então, não é para os fracos. Não é fácil a adaptação ao clima para quem vem de latitudes baixas.

A despedida de Jean me deixa um tanto atônito. É preciso necessidade e desprendimento para deixar sonhos, lugares e histórias para trás. Itens que me faltam, mas que, a Jean Antonie, sobram. O Brasil do futuro, naquele momento, começou a virar passado: mais uma página virada no livro da vida daquele haitiano ainda muito jovem aos 42 anos.

O ônibus, gerigonça gigantesca de lata, começa a ganhar a estrada. É um veículo de frente vermelha e traseira branca. Na parte central, um desenho. Parece uma pomba estilizada, com tons de dourado e de um azul profundo que parece negro à luz da lua. O ônibus Pluna não pretende dar a volta ao mundo nem ganhar nenhuma corrida, mas apenas deslizar pela pampa argentina. Quanta coisa permitirá ver ao longo do trajeto?  Quanta gente? Quantas Consuelo, Guadalupe ou Concepción encontrará e irá deixando pelo caminho? Pluna é a nova nau de Jean, do novo sonho que começa na saída do Terminal Rodoviário do Tietê.  

No caminho de volta para a casa, começo a imaginar os desconfortos da viagem, o interior argentino de planícies sem fim; a comida de qualidade discutível, as instalações precárias. À medida que nos vamos aproximando do Chile por terra, aproximamo-nos também da Cordilheira dos Andes - que nos lembra, impiedosamente, que somos pequenos. Ah, e como o somos!

A partida de Jean Antonie do Brasil não é um fato aleatório, mais um fato simples e banal neste mundo de fatos inumeráveis. O país deixado para trás pelo simpático haitiano, que segue agora o caminho imigratório de outros compatriotas seus, é o Brasil que sonhou e acordou desiludido. É o Brasil que agora chora não só pelas oportunidades perdidas, que se lamenta não só pelo país que é, mas, sobretudo,pelo país que pôde ser e que agora está esmagado pela corrupção.

O governo atual se diz de esquerda. No entanto, é bem verdade que, nestas terras, a corrupção está em todos os lados. O embate "direita X esquerda" é inócuo: esquerda e direita viram meras intrigas intelectuais que rodam em mesas de bar, sem aplicação na vida prática das pessoas. De esquerda ou de direita, cada vez conhece-se mais Ali Babá e menos Marx.

Faz alguns poucos anos, este era um país de muitos sonhos. A economia crescia, os investidores estrangeiros nos sorriam sorrisos escancarados e cheios de dentes. Compravam-se muitas passagens aéreas, voava-se nos aeroportos, voavam em cada mente brasileira os sonhos de um país que parecia superar o ranço colonial, escravocrata, terceiro-mundista.

E por falar em sonhos e em voos de avião, já não se voa - nem se sonha! - como antes. As companhias aéreas brasileiras cortaram mais de três mil voos na semana passada, e faz oito meses que a procura por passagens aéreas diminui continuamente. Tentamos voar, porém continuamos como sempre estivemos: desiludidos e ao rés do chão, viajando pouco e confiando no futuro menos ainda. Alta do dólar, queda do PIB, incerteza no cenário político do país, perda do poder aquisitivo da população. Voa-se menos, o horizonte está nublado. Voa-se menos, sonha-se menos.

O Brasil deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e de cores algumas vezes. Porém nossa corrupção, da política à cotidiana, são nossos balões que não sobem, luzes que não brilham, estrelas que jamais estiveram no céu. Nossa corrupção é nosso mal, nosso "jeitinho brasileiro" é nosso terremoto - o segundo terremoto que Jean Antonie vai tentando deixar para trás, agora a bordo da gerigonça gigantesca de lata. Que Pluna o leve e lhe guarde a delicadeza de seus sonhos. ¡Qué te vaya bien en Chile, Jean!

 
< Anterior   Seguinte >

Enquete

Qual é o seu ritmo latino predileto?
 
Newsletter
Receba as novidades da Onda Latina no seu e-mail.
E-mail

Nome

Sobrenome

Cidade


 

Usuários On-line