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Telhado de vidro PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jamil Alves   
28-Set-2016

solitario_-_franklin_valverde.jpgUm homem aturdido passou na frente do meu carro muito rapidamente. Tinha uma cara apavorante, apavorada, uma expressão meio perdida, uma aparência aloucada. A visão daquele homem, com seu passo rápido a passar por mim enquanto eu esperava o verde do semáforo para entrar na avenida movimentada, fez com que eu me desconcentrasse por um instante, que eu saísse da letargia da espera, do pensar na vida e do fuçar eletrônicos. O olhar penetrante daquele homem pardo e malvestido me varou com uma solidão sem fim.

Passei o resto do caminho, do momento do olhar até a chegada ao meu destino, pensando nos olhos do pobre homem e no que eles possivelmente me quiseram dizer. Aquela solidão me entristeceu, havia contido nela um vulto de cólera, que me assustara como poucas vezes.

Entendi que a solidão – como a daquele pobre homem! – desperta o medo porque em geral a associamos à tristeza e ao vazio. No caso de uma pessoa em situação de rua, totalmente sem escolha e à mercê dos mais apavorantes perigos, impossível não fazer essa associação (não consigo esquecer o olhar daquele homem!). Aquele ser humano abandonado e atônito me tirou do prumo. Justo eu, depois de um dia esgotante de trabalho, fora arrancado de dentro de mim por alguém anônimo, desconhecido, indigente. Que incontáveis sofrimentos aqueles olhos haveriam de ter testemunhado? Quantos indeléveis horrores morariam naquela alma?

Antes de o homem sumir do alcance dos meus olhos, perto de uma marquise de uma loja de artigos para bebês, consigo ver um rasgo numa das pernas da sua calça jeans ruça e suja, que deixava entrever uma mancha de ferimento profundo e recente. Trata-se de um homem esguio, alto, talvez de um metro e oitenta. Apesar do passo rápido, o corpo arqueado denuncia o efeito dos anos (ou das mágoas, ou das privações, ou de tudo isso junto); é homem frágil.

As pessoas, em situação de rua ou não, são seres iminentemente sociais. Qualquer um pode sofrer de solidão: um jovem que muda de escola, um aldeão de uma cidadezinha que acaba se mudando para uma metrópole, um idoso solitário e cuja debilidade lhe impeça a locomoção, enfim, qualquer um de nós pode ser ou estar muito solitário em algum momento da vida. Volto a mente ao homem de olhar assustado e imagino qual dessas situações terá vivido, por que terá ido parar na rua. Será casado? Mentalmente são? Quantos filhos deve ter, se é que tem algum?

Nas questões da solidão, há outros fatores envolvidos. Nas últimas décadas, nos países ocidentais, morar sozinho passou a ser visto como sinal de sucesso, como signo de alguém que é independente, dono de seu nariz e do controle remoto, que pode dormir esparramado na cama em forma de xis se quiser. Para muitos, os momentos solitários, de introspecção, são fundamentais, e eu me enquadro nessa categoria de solitários felizes. Sempre precisei ouvir meus silêncios para compor minhas falas e meus atos.

Morei sozinho durante dezessete anos maravilhosos, penso que é uma experiência pela qual toda pessoa deveria passar, ainda que por pouco tempo. Afinal, quase todo mundo se questiona (e inexoravelmente descobre), em algum momento da vida, se essa ideia de idílio a dois, vendida a borbotões pela mídia, é de fato verdadeira ou se o amor é apenas uma boa solidão compartilhada. Quando a pauta é relacionamento, que atire a primeira pedra quem não tiver seu telhado de vidro – e todos nós temos!

De novo, volto a pensar no homem aturdido e assustador, fico incomodado, muito incomodado. Sua figura intrigante reteve em si toda a minha energia, todo o meu pensamento. Perto de uma marquise de uma loja de artigos para bebês, sumiu solitariamente na noite escura. Levou consigo meu pensamento e minha força. Bandido, deixou somente um vazio no lugar.   

 

 
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