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Escrito por Jamil Alves   
24-Nov-2016
youre_fired_-_franklin_valverde.jpgFaz uns seis ou sete anos, trabalhei numa empresa norte-americana, o que me permitiu conhecer mais de perto o American Way of Life, para o bem e para o mal. Aquela firma era um microcosmo do que devem ser, imagino, os Estados Unidos, essa grande e admirável (às vezes, temível) nação do ocidente. Da época da empresa norte-americana para agora, muita coisa mudou em mim e no mundo, e somente algumas poucas amizades daquele tempo permaneceram. Jason é uma delas.

No meio da noite, já na madrugada do dia 9 de novembro, quando Donald Trump já ia à frente de forma praticamente decisiva, meu amigo californiano Jason levantou-se da mesa, impaciente, inconformado. Já do lado de fora do barzinho, montou na sua bicicleta e, imprudente, quase caiu no cruzamento da rua Michigan com a Califórnia – estávamos em São Paulo, apesar dos nomes das vias. A roda da bicicleta ficou torta ao bater no meio-fio, mas ele não se importou: voltou para cima da bicicleta e continuou a pedalar, toureando o guidão para não se desviar da rota nem cair. Vagueou pelo semáforo e quase foi atropelado por um carro preto, entrou na contramão e deixou a todos os que estávamos acompanhando a apuração das eleições boquiabertos e assustados. “Esse cara deve estar puto ou bem louco”, gritou alguém.

 

Na mesma hora, imaginei que pudesse ser isso mesmo. Conheço Jason, sabia de sua preferência por Hillary. Na verdade, não pela candidata democrata exatamente, mas sim por um discurso mais equilibrado, de aparência mais sensata frente aos desafios presentes destes tempos tão surpreendentes que estamos vivendo.

Conforme a noite avançava e a estapafúrdia vitória republicana ia se confirmando, ouviam-se comentários de todo tipo naquele bar, ocupado por brasileiros e por norte-americanos que pareciam tentar entender o que estava ocorrendo ao mesmo tempo em que emprestavam suas opiniões aos amigos brasileiros: “Se Trump ganhar, vai aumentar o número de suicídios”, disse um. “Esse maluco vai acabar com nosso país”, esbravejou outro. “Esta é a cara da jihad racista e religiosa fundamentalista da América”, gritou John, um conhecido meu natural de Minneapolis, também dos tempos da empresa norte-americana, que encontrei naquela noite por acaso. Pouco depois, ele mesmo completou: “todas as baratas do meu país saíram dos bueiros hoje e foram votar”.   

Naquele clima, ninguém estava festejando. Havia um grupo de moças que olhavam inconformadas para seus smartphones. Os homens bebiam uísque e cerveja. Viam-se risos nervosos, como se as pessoas ali estivessem vivendo uma realidade alternativa ou um sonho mau. Num canto pouco iluminado, um senhor de meia idade tentava justificar os erros das pesquisas: “é difícil acertar as previsões eleitorais para um país gigante onde o voto não é obrigatório”.

A noite, que tinha tudo para ser animada, foi ficando com cara de final de copa do mundo com derrota da seleção, ou algo qualquer que, para nós, equivalha. Também fiquei surpreso com o resultado, a vitória de Trump, e quem neste mundo não terá ficado? Além disso, creio que todo cidadão, em qualquer lugar deste planeta, deve ter em mente que a eleição de um presidente nos Estados Unidos pode afetar a vida da humanidade inteira. Comecei a pensar e a estabelecer um paralelo entre o que tem ocorrido lá, no norte, e cá, no sul da América.

Quem me conhece, sabe que não sou defensor ferrenho de ideologias. Sou do tipo que sempre procura o ponto positivo em cada tese, em cada construto teórico, e tento, até de forma pueril, pinçar para mim o que cada um tem de melhor para tocar minha vida adiante. Fiquei surpreso, para não dizer estarrecido, quando vi que a discussão “esquerda X direita” está longe de acabar, e isso veio muito à tona nos últimos meses com os imensos problemas da política brasileira, que vem sendo varrida pela Lava-jato. Eu, tonto, achei que a queda do Muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética tivessem dado seu recado.

As redes sociais são prova viva da insanidade das pessoas, que defendem beltrano ou acusam sicrano por sua linha ideológica, não porque agiu bem ou mal frente a suas responsabilidades e compromissos com o país. Parece um reino cuja regra principal é “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”.

No bojo da minha “descoberta”, essa de que a oposição “esquerda X direita”, especialmente nestes tempos de gente perigosamente binária, não está morta nem enterrada, fiquei meio sem chão. Acredito que o vigor da economia de mercado faz a engrenagem do país girar, o que me coloca à direita. Creio que os programas sociais são de estrema importância, pelo menos neste momento da história brasileira, quando a nação ainda tem tantas contas a ajustar com tanta gente para fazer as pazes com seu sombrio passado, o que me coloca à esquerda. Sou contra medidas estatizantes, especialmente neste Estado endemicamente corrupto como o nosso, com esta nossa corrupção que vai do furar a fila da padaria aos bilhões desviados em transações escusas nos mais altos escalões do poder. Acho, por isso, profunda tolice demonizar privatizações, e isso me coloca novamente à direita.

Mesmo sem saber qual é meu lado (se é que tenho algum, se é que essa discussão faz sentido na vida prática das pessoas, para além dos discursos dos intelectualóides de plantão), acho o extremismo de direita mais perigoso e me explico: quando vemos um demagogo de esquerda, seu discurso vem recheado de populismo, de promessas de que tudo será melhor. Os demagogos da esquerda costumam se colocar como pais dos pobres (ou mães, não é? Longe de mim ser sexista), seu blablablá vem num bonito embrulho de cintilante papel de presente. Eles exaltam os pobres como se a pobreza fosse a coisa mais bonita de se ver. Os demagogos de esquerda costumam ter aparência fofa, mesmo que sejam parecidos com bebuns do mais infecto dos botecos. Esse é um tipo que faz sucesso cá no sul, onde amamos os “losers”, aqueles que, de alguma forma, apresentam-se como “perdedores”, nascidos pobres e que continuaram pobres, representando os desvalidos e defendendo-os falsamente do cruel “sistema” contra o qual fingem lutar, mas do qual obtêm enormes benefícios espúrios.

Lá no norte, os queridinhos são os “winners”, os “vencedores” (e aqui está uma diferença crucial entre as culturas brasileira e norte-americana). Assim, então, um cara como Trump, empresário, cheio da grana, personificação do capital e do capitalismo, encontra espaço para que seu discurso ecoe nos ouvidos e convença as mentes. Um tipo como Trump personifica a demagogia de direita, que não vem numa embalagem bonitinha e cintilante e que é, na verdade, rude e muito dura. Demagogos de direita costumam ser ultranacionalistas, radicais, intolerantes. Acham que tudo o que é ruim vem de fora, fecham fronteiras, querem construir muros. Tanto lá quanto cá, o que somos nós, americanos (refiro-me ao continente) de qualquer país, senão imigrantes em algum grau? Quem pode ser ou sentir-se diferente ou superior, a menos que seja índio legítimo, sem sangue negro nem europeu? Discussão inócua, que nos levaria de volta à Pangeia* e aos dinossauros.

Se calhar, talvez a eleição de Trump não seja tão mau. Pode trazer, quem sabe, um choque de realidade para nossos irmãos do norte e para o mundo. Como dizem que o stablishment** é mais forte que tudo, quiçá o novo presidente não consiga ter tanta força assim. Ou, pelo contrário, como os republicanos mantiveram seu poder na Câmara e no Senado, além de agora ganhar a presidência, a partir de 20 de janeiro é tudo com eles, e que venha daí essa nova América. Desde já, não vão poder acusar Obama e a mídia de tudo de ruim que veem no país.

Chegada “a hora do vamos ver”, eles vão ter de enfrentar suas próprias promessas! Revoguem o polêmico direito ao aborto, subam o muro na fronteira com o México, expulsem 16 milhões de imigrantes ilegais, destruam o Obamacare*** e tirem o seguro saúde de mais de 21 milhões de pessoas. Rasguem e piquem acordos internacionais e tragam de volta a manufatura para ver se suas t-shirts passam a custar 15 ou 10 dólares. Mr. Trump, republicanos, agora é com vocês, assumam o que prometeram e vamos ver se “a América” terá voltado a ser grande daqui a um ano.

Demagogos, de esquerda ou de direita, são excrecências. Quando comparadas, o que muda é apenas o invólucro, a latinha. Na onda dessa velha demagogia, um tsunami conservador vai varrendo o mundo, que está ficando cada vez mais careta. Há mais e mais gente acreditando que existirá um Messias salvador para fazer por elas toda a lição de casa. Receio que poderá chegar o dia em que teremos saudades de quando Donald era apenas o nome de um fanhoso pato de estorinhas infantis. 

Eu avisto um perigoso retrocesso, sinto como se estivesse jogando um daqueles jogos em que crianças rolam dados. Rodei meu dadinho, saiu um número. Um, dois, três, quatro: minha peça foi parar num quadradinho onde se lia “volte uma casa”.  

 

PS: Jason me ligou na manhã seguinte, chegou bem e já mandou consertar a bike   

 

* Pangeia: supercontinente hipotético e único que teria existido na Terra até o período cretáceo (aproximadamente entre 136 e 65 milhões de anos), que, ao se fragmentar devido ao movimento das placas tectônicas, teria dado origem aos continentes atuais.

  ** Stablishment: a ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui uma sociedade ou um Estado; a elite social, econômica e política de um país.

*** Obamacare: Antes da lei Obama, que obriga todos os cidadãos a terem um plano de saúde, parte das pessoas (em especial jovens e pessoas que não têm um plano de saúde pela empresa) não contava com nenhum tipo de seguro saúde. Uma das grandes bandeiras de campanha de Barack Obama foi a reforma do sistema de saúde, conhecida como “Obamacare”, de forma a tornar os cuidados de saúde mais acessíveis a um número maior de cidadãos estado-unidenses.  
Atualizado em ( 24-Nov-2016 )
 
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