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Encontro com Gullar PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jamil Alves   
07-Dez-2016
ferreira_gullar-_jamil_alves_-_a.jpgAs Feiras Literárias de Parati, conhecidas como FLIPs, são sempre muito boas, mas aquela de uns seis anos atrás foi mais especial. A lembrança dos bons momentos da ocasião, apesar de tão real, tem um quê de sonho, tamanha é a alegria que causa.

No fim de semana passada, tive um sonho que me remeteu àquela FLIP, sonhei com Gullar. Sim, ele mesmo, o maranhense José Ribamar Ferreira, que tomou emprestado o “Goulart” de sua mãe e se tornou Ferreira Gullar, o grande dos textos, da literatura, da materialização de nossos mais doidos devaneios em palavras.

 

Estávamos os dois numa rodoviária de São Paulo, dentro de um ônibus prestes a partir, sentados em poltronas lado a lado. Começamos a conversar calorosamente, como amigos de longa data. Os detalhes inverossímeis ficam por conta de nosso diálogo ter acontecido em inglês, um inglês fluente de dar inveja, com direito a erres retroflexos bem do interiorzão dos Estados Unidos. Era gostoso falar “door” com o mesmo erre do nosso caipira que fala “porta”. Além disso, Gullar sugeria que nós descêssemos do ônibus e que fôssemos de São Paulo a Parati em lombo de burros.

Ele me falava em seu fluentíssimo inglês que os burros – ou melhor, “the donkeys” – traziam boas recordações da infância e que eram excelentes companhias, era muito melhor viajar com eles que dentro de uma gerigonça de lata. Nessa hora, eu tive vontade de sorrir e de rir – e acordei. Sonhos se esvaem com certa facilidade, mas este, inusitado, ficou retido na memória por mais tempo.

Nunca soube por que, nem por qual brincadeira do destino, acabei jantando tão perto dele, na mesa ao lado – agora saí do sonho e fui para a realidade –, quase de frente para aquele homem tão magrinho quanto hábil e contundente na linguagem. Estávamos mesmo quase de frente, um ligeiramente à esquerda do outro. Como o espaço do corredor que separava as nossas mesas era pequeno, para mim foi como se estivéssemos à mesma mesa, em pé de igualdade, como bons amigos – assim como no sonho da rodoviária e dos burros.

José de Ribamar Ferreira tinha 18 anos em 1948, quando começou a assinar Ferreira Gullar. Pouco depois, publicou seu primeiro livro de poesias, Um pouco Acima do Chão. Tinha seus 45 anos quando lançou meu favorito, Dentro da Noite Veloz, no ano em que nasci. Portanto, fazendo as contas, ele tinha 80 anos, pouquinho mais, pouquinho menos, quando nos encontramos na bela Parati.Naquele nosso jantar, tinha a aparência dos 80 anos que de fato vivera até então, mas o olhar era rebelde, tinha só uns 20, 22 anos de idade. Era sério, alto, bem magro. Tinha cabelos totalmente brancos, lisos, aparados à altura dos ombros. Comia com calma, demonstrava mais interesse pela conversa que pela comida e falava com as mãos quase tanto como com a boca.

Nesse jantar e na palestra do dia seguinte, contou que foi demitido de todos os lugares onde trabalhou: “Não dava tempo de eu pedir demissão. A primeira vez foi numa rádio. Fui cobrir uma manifestação de trabalhadores e acabei vendo um policial matar um sujeito. O diretor da rádio pediu para noticiar que o trabalhador tinha sido assassinado pelos comunistas. Me recusei e fui para o olho da rua, claro”.

Como notou que eu estava prestando muita atenção ao que dizia (ou seja, eu não fui discreto como deveria), ao se levantar da mesa me fez um aceno com a cabeça, que me pareceu afetuoso. Esboçou também um tímido sorriso em minha direção. Eu quase me levantei e lhe disse “muito prazer”, porém não o fiz, e no fundo mesmo o que senti foi felicidade por tê-lo tido por perto, só isso já me bastava, e orgulho por ter resistido ao apelo dessas modernices meio ridículas de tirar selfie com alguém famoso, especialmente em lugares de ócio e lazer. Ser papagaio de pirata não é comigo.

Depois desse dia memorável, nunca mais o vi.

Atualizado em ( 07-Dez-2016 )
 
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