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20.Ago 2017
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As primeiras vezes PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jamil Alves   
08-Mar-2017

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Eu devia ter uns oito anos de idade quando fui pela primeira vez ao cinema. Lembro-me de estar nos arredores da Rua Direita no final da sessão, era uma noite de domingo. Eu, dois primos idiotas e um amigo deles, nosso vizinho. Do filme, não recordo quase nada. Na verdade, acho mesmo é que não entendi nada. Rambo, se não me engano. Stallone lutava com um russo (era o auge da Guerra Fria, embora eu ainda não soubesse disso naquele momento).

A única coisa que me atiça a memória ainda hoje é a lembrança dos meus três acompanhantes (sete, seis e quatro anos mais velhos do que eu) chutando latas de lixo nas ruas daquele centro de São Paulo completamente vazio, e eu rezando para que aquelas mulas em forma de gente não me deixassem para trás. Tudo o que eu queria era entrar no ônibus elétrico rumo à Vila Carrão.

Não consigo saber ao certo se essa foi a primeira vez mesmo que fui ao cinema ou se foi outra. Um namoradinho da minha irmã mais velha (outro idiota, um dos mais persistentes na minha vida), com quem ela se casaria alguns anos mais tarde, resolveu me levar para ver O Mágico de Oroz. Tremendo respeito por Renato Aragão e sua trupe, mas nunca curti seu tipo de humor.

Pior que o filme só o chá com leite que tive de experimentar na saída do cinema, num boteco bem infecto, também no centro de São Paulo. Minha mãe, que também estava conosco, detestou a bebida ainda mais que eu. Pior que tudo isso: estava destruída por muito tempo a ponte, que poderia ter sido maravilhosa, entre a Vila Carrão e Hollywood (e não é isso que o cinema representa para as pessoas, uma ponte entre a fantasia e a realidade, entre seu lugar real no mundo e uma bela ficção?). Até hoje preciso de certo preparo logístico e psicológico para poder ver um filme no cinema e aproveitar a ocasião.

Na primeira vez em que fui a um estádio de futebol, acho que fui ao Pacaembu, mas quem sabe ao certo? O futebol sempre esteve guardado na minha gaveta das irrelevâncias, não faz diferença se foi Pacaembu, Morumbi, Canindé etc. etc. Fui assistir a um jogo do Palmeiras. Era contra o arquirrival, Corinthians. Não recordo o placar, porém estou certo de que o Palmeiras ganhou porque meu pai estava feliz. Eu não entendia por que aqueles caras gritavam, urravam, entoavam hinos e exalavam cheiros estranhos, e a situação só foi piorando, até o ponto em que alguém que estava mais acima na arquibancada urinou num copo plástico e o arremessou. Não sei se eu era mesmo o alvo do vândalo ou se estava no lugar errado no momento errado, mas revivo claramente da sensação de nojo e raiva que senti com aquele líquido quente e amarelo em cima de mim. Mais uma vez, tudo o que eu queria era voltar à Vila Carrão. Algumas horas depois, exausto, frustrado e irritado, consegui.

A primeira vez que andei de avião foi divertida. Voo São Paulo-Recife, com escala em Salvador. Era fevereiro dos meus quase 19 anos, semana pré-carnaval. Depois da escala, já na parte final e mais curta da viagem, estava bem tranquilo almoçando e olhando pela janelinha. De repente, o avião começou a chacoalhar tanto que eu fiquei sem saber o que estava acontecendo. Deu medo. Eu já havia terminado a comida, mas meu copo, que foi parar no teto do avião, ainda estava praticamente cheio. Tomei um banho de suco de laranja.

Tratava-se de uma turbulência das grandes, com direito a passageiros gritando aterrorizados. Eu mesmo também senti medo, e só não foi pior para mim porque, como não tinha experiência prévia em voos, por um instante achei que aquilo pudesse ser normal. A falta de experiência com aquela situação jogou a meu favor. Já em Recife, susto esquecido. A Praia do Pina me sorriu por dias e dias naquele carnaval inesquecível (mesmo eu não sendo um entusiasta do carnaval, um folião ou algo parecido).

Minha primeira ida a um restaurante aconteceu tarde, eu já era um rapazinho. Foi na primeira semana em que comecei a trabalhar num banco, eu tinha 15 anos. Artur, o rapaz que estava me treinando e era meu antecessor no cargo de contínuo, pediu que eu o acompanhasse na hora do almoço porque ia me apresentar a Ivani – eu, tonto, pensei que fosse uma cliente, mas era a dona do restaurante que servia refeições aos funcionários do banco a preços mais baixos porque o banco custeava uma parte.

“Lasanha, eu quero lasanha!”, disse eu sem nem ter muita certeza do que estava pedindo. Já tinha ouvido falar de lasanha, mas não sabia exatamente o que era. Eu vinha de uma família de poucos recursos e nenhuma tradição culinária. Disse “lasanha à bolonhesa” sem titubear porque esse foi o pedido do Artur, que eu apenas copiei. A outra opção do dia, “lagarto”, não me apeteceu – preciso dizer, com tão pouca cultura gastronômica naquele momento da vida, que cogitei a possibilidade de que essa carne não fosse bovina, mas de um nada apetitoso réptil?   

Ah, e a primeira vez? Sim, “a primeira vez”, sem complemento; aquela que, quando não especificada, faz os olhares brilharem maliciosos. Não, leitor, não se anime, não vou lhe contar minha primeira vez. Gostos, cheiros, texturas, ruídos e sussurros são muito particulares para serem compartilhados aqui, assim. Só posso dizer que a primeira vez não foi ruim, não. Ao contrário, foi até boa. No entanto, não foi nem de longe a melhor. Esse é o tipo de “negócio” que vai ficando bom com o tempo e com a prática – e com nosso semancol e experiência para fugir das roubadas.

Fiquei pensando nesse assunto da primeira vez em algo quando li numa revista, na sala de espera do dentista, uma dessas subcelebridades instantâneas falando da sua primeira vez (essa sim, na cama). Em nossa cultura, a primeira vez em algo é sempre muito idealizada. É claro que devemos valorizar cada momento “inédito”, porém minhas primeiras vezes, desastrosas na maioria dos casos, fazem lembrar os cursos de inglês, que invariavelmente começam chatos, com How are you? para cá, Fine, thanks, and you? para lá, mas que depois melhoram e vão ficando mais e mais interessantes. Esses cursos são como a vida e as vezes posteriores à primeira em algo: vão ficando melhor à medida que vão acontecendo, evoluindo, ongoing.  
Atualizado em ( 08-Mar-2017 )
 
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