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quarta
13.Dez 2017
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Escrito por Jamil Alves   
03-Mai-2017

indio_a_-_franklin_valverde.jpg“Um, dois, três indiozinhos, quatro, cinco, seis indiozinhos, sete, oito, nove indiozinhos. Dez num pequeno bote...”. Quem nunca ouviu essa singela musiquinha, que ficou impregnada em meus ouvidos depois que meu filho Miguel voltou da escola no último dia 19 de abril, adornado com penachos e cocar colorido?

O fato me fez recordar o dia em que conheci dona Francolina (que era seu nome brasileiro, nas palavras dela), integrante dos guatós, conhecidos como os índios canoeiros do Rio Paraguai. Foi num evento de uma universidade mato-grossense nos arredores de Cuiabá, já faz alguns anos.

Pele morena, cabelos longos, olhar doce e expressão cansada – afinal, dona Francolina, senhorinha simpática de vestido azul claro, já era uma mulher centenária na ocasião daquele evento. Não fosse pela idade tão avançada, eu poderia dizer que ela era uma índia comum, de traços corriqueiros, desses que povoam nosso imaginário quando ouvimos falar de índios.

Dona Francolina contava coisas de seu povo num português relativamente claro. Vez ou outra pedia ao filho que a acompanhara ao evento que lhe traduzisse alguma palavra para o português porque ela não se lembrava. Ele deveria estar na casa dos 80 anos; uns 20 a menos que ela, portanto.

A velha índia contava histórias de seu povo, de sua gente. Contava tudo de um jeito bonito, com brilho no olhar e um modo de falar que misturava fatos com ficção, mas que, magicamente, não deixava que os interlocutores conseguissem separar um do outro.

De certo ponto em diante, eu me dispersei da fala de dona Francolina e me pus a pensar no que deve ter sido a chegada dos europeus à América. Do ponto de vista das trocas, das descobertas, dos estranhamentos e das aventuras, deve ter sido o maior evento que já houve no planeta – mais importante e marcante até que a chegada do homem à Lua. Pena terem sido estabelecidas relações tão predatórias e assimétricas, de dominador opressor versus dominado oprimido.

Pouco mais de 500 anos depois dos primeiros contatos entre índios e europeus nestas terras brasileiras, nossas línguas indígenas pedem socorro, estão desaparecendo em ritmo acelerado, no bojo da extinção das tribos que desaparecem biologicamente porque os indivíduos morrem ou porque acabam se misturando à grande comunidade brasileira, de cultura e língua europeias ou europeizadas.

Dona Francolina sabia de tudo, sabia dos riscos que seu povo corria e ainda corre. De um jeito simplório, explicou que estava ciente do desaparecimento de muitas línguas no Brasil, que agora são totalmente irrecuperáveis para estudos. Expôs seu medo de que seu idioma, o guató, morra em menos de 20 anos: futuro nebuloso como o previsto para mais da metade das línguas presentemente faladas por índios no interior do país se nada for feito imediatamente no sentido de preservá-las, estudá-las, entendê-las.

Ao final do evento, dona Francolina, visivelmente cansada, pediu ao filho que lhe desse algo que estava dentro de uma cesta de madeira, algo pequeno que não fui capaz de identificar naquele instante. Eu só conseguia escutar seu apelo por “morimão”, “morimão”. Mais tarde, consegui descobrir com um linguista local, estudioso da língua guató, que ela dizia “o limão, o limão” e que era apreciadora de sabores cítricos.

Na formação da palavra “morimão”, proveniente do português “o limão”, acrescentou-se um prefixo determinativo, “ma”. “Ma orimão” sofre elisão* e passa a “morimão”. Como o guató não tem consoantes lateriais, o ele do português foi substituído pelo erre.  

 

 

(*) Elisão: modificação fonética decorrente do desaparecimento da vogal final átona diante da inicial vocálica da palavra seguinte, como em “de aqui” que se torna “daqui”, “de água” que se torna “d´água” ou “Santa Ana” que se converte em “Santana”.
Atualizado em ( 03-Mai-2017 )
 
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