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Onda Latina

quarta
13.Dez 2017
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Minhas férias PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jamil Alves   
30-Ago-2017

jamil_alves_em_barcelona_-_a.jpgConforme o prometido, cá estou, caros leitores, para lhes falar das minhas férias.

Essa promessa que lhes fiz, que agora me parece um tanto descabida, me levou de volta aos tempos de escola, especificamente àquele fatídico momento de voltar das férias de julho e ter de escrever forçosamente uma redação intitulada “Minhas Férias”.

Naqueles remotos anos 80, eu nunca viajava. Como já relatei em outros momentos, tive uma infância bastante difícil do ponto de vista financeiro. A hora da redação das férias era, portanto, momento de contar com a imaginação e com toda sorte de artifícios para poder escrever um bom texto.

  Certa vez, dona Vera me deu um “A” porque gostou da história que eu inventei: uma viagem maravilhosa pelo norte do país, com direito a voo de helicóptero e resgate na selva. Recordo que, no fim do texto, eu tinha ido parar na vizinha Guiana Francesa. Para quem estudou em escola com sistemas numéricos de nota, um esclarecimento: “A” equivale a “dez, ótimo, excelente, muito bom”. Pois bem, desta vez também não viajei. No entanto, diferentemente dos tempos da querida dona Vera, resolvi não inventar histórias. Ao invés disso, só vou relatar o que observei, o que de fato aconteceu à minha volta.

Mesmo de férias, continuei tocando alguns trabalhos (como o de ir à rádio uma ou duas vezes por semana para tomar umas providências e dar conta de alguns afazeres que não podiam esperar). Circulei muito pela região da Avenida Paulista: “a mais paulista das avenidas”, como dizia o antigo slogan de um shopping das redondezas.

À Paulista, definitivamente não vale a pena ir de carro. Portanto, trens e metrôs são a melhor opção de locomoção, sem a menor dúvida. E, nesta cidade maluca, lugares com grande confluência de gente são sempre bons observatórios das esquisitices e curiosidades humanas.

Uma vez, logo no começo das férias, lá pela primeira ou segunda semana de julho, fiquei observando um menino na plataforma da estação aqui perto de casa, a Juventus-Mooca. Eu já o tinha visto outras vezes, ele sempre mendigando dentro do trem com papeizinhos de conteúdo comovente – não, não estou sendo irônico: aqueles papeizinhos em que se pede ajuda para comprar arroz e feijão para os irmãos sempre me tocam, me entristecem. Não costumo dar dinheiro só porque fico pensando no adulto que pode estar impingindo à criança aquela situação deplorável.

Esse menino, já meu conhecido, de certo modo, estava com uma menina maior que ele – pela semelhança física, creio que era sua irmã – e um adulto que lhes dava instruções. Os três, à espera do trem, na plataforma, pareciam estar numa aula. Pelos fragmentos que consegui escutar, o adulto, com os ares doutos de um professor de vasto conhecimento, instruía as crianças quanto a como ser eficientes em suas abordagens; elas, atentas, tinham um olhar triste, porém resignado ao mesmo tempo. Maltrapilhos, entraram no trem assim que ele parou na plataforma rumo à Estação Tamanduateí.

Dias depois, outro menino entrou num vagão do metrô e começou a mendigar. Subiu na estação Sacomã e desceu no Alto do Ipiranga, se a memória não me falha. Em meio a tanta gente imersa em seus smartphones, pessoas completamente alheias à realidade ao redor, o garotinho suplicava ajuda, balbuciava pedidos e lançava um olhar de quase choro. Antes, mendicância e comércio ilegal restringiam-se apenas aos trens; agora, essas coisas acontecem no metrô também – com menos frequência que nos trens, mas acontecem.

O olhar daquele menino me estragou a tarde. Passei na rádio, resolvi coisas, vi pessoas bacanas (Roberta, Silvia e Wania), dei umas risadas com elas e consegui esquecer um pouco as cenas tristes do caminho. Porém, no percurso de volta para casa, fiquei pensando naquele garoto tão pequeno, tão desprotegido. Eu notara, na ida, que ele tinha um pé descalço e, no outro pé, somente uma meia muito suja. Nos dias subsequentes, comecei a reparar que aquilo caracterizava talvez um novo modus operandi da mendicância, pois vi outros pedintes, tanto crianças quanto adultos, usando uma meia num pé só – o mesmo tipo de calçado do garotinho do Sacomã, se é que se pode chamar isso de “calçado”.

Mas nem só de tristeza, de situações melancólicas e cenas tristonhas se vive no transporte público. Num desses dias, entre a Tamanduateí e a Juventus-Mooca, já de noite, fiquei sentado em frente a um grupo de mulheres, uma mais velha e três bem jovens. Elas eram negras, tinham grandes cabelos trançados, peles viçosas; eram lindíssimas, bem-humoradas e falavam francês – imaginei que fossem haitianas, mas quem sabe? A mais velha, que parecia ser mãe das mais jovens, parecia estar reclamando dos serviços de telefonia da sua operadora de celular. Não sei quase nada de francês, porém consegui entender um pouco da conversa. Eu, mesmo maravilhado com a beleza delas e do idioma que falavam, tive de descer aqui perto de casa. Elas seguiram rumo à estação final, Brás.

Aproveitei os momentos livres das férias para resolver pequenas pendências, aquelas difíceis de desenrolar nos dias de trabalho full time. Fiz a revisão do carro e, depois de uma fortuna com a manutenção dele, aproveitei a maciez da máquina para seguir resolvendo coisicas: tirei RG novo, renovei meu passaporte, fiz check-up no hospital, e foi lá que fiquei sabendo do atentado nas Ramblas de Barcelona. Era uma quinta, 17 de agosto.

Muitos de meus amigos próximos tentaram me poupar de uma notícia assim tão triste, ninguém me contou nada – eles sabem que eu amo Barcelona. O cuidado deles, no entanto, foi inútil.

Hoje, é impossível ficar alheio à informação. Não importa para onde você se vire, há sempre uma tela perto, uma TV ligada, pequena ou grande; para o caso de não se conseguir ouvir o que diz a transmissão, há manchetes e legendas correndo ao pé do visor (às vezes, também na parte de cima e num dos lados). Há tevês no avião, no taxi, no ônibus, no metrô – e as informações vão de Donald Trump às previsões dos signos.

As televisões estão mesmo em todos os lugares: nas lojas, no saguão do hotel, no elevador, na sala de espera do dentista e do podólogo; nos bares, dos mais finos ao boteco mais sórdido, daqueles que exibem delícias como ovos coloridos e enroladinhos de salsicha que parecem ter sido feitos uma década atrás. Essa congestão de informação que nos impõem, essas milhares de telas a nossa volta, que nunca são desligadas, parecem as tele-telas do romance de George Orwell, 1984. Eu, mesmo que paradoxalmente para um jornalista, gostaria de ter de volta o direito de só ficar sabendo das coisas que me digam respeito, mesmo que dolorosas, das que eu possa resolver ou, ainda, daquelas a respeito das quais eu tenha querido saber.

Que tristeza os atentados em Barcelona. Que tristeza existir neste mundo gente que dispenda tempo e energia para matar outros seres humanos! Por que pessoas com tanto vigor e perspicácia como os terroristas não estão inventando um bacon emagrecedor, um chocolate trincador de abdômen, uma pizza redutora de medidas? Ao contrário disso, dedicam-se a tramar e a matar.  Juro que não entendo!

Em Barcelona, quanta vida pulsa, quantos lugares interessantes, quantas histórias em seus luminosos bares! Ao redor dos copos, das garrafas e das deliciosas tapas, balcões de madeiras nobres, paredes espelhadas, luzes frias e gente quente. Entre um trago e outro naqueles bares garbosos, política, literatura e jornalismo cruzam o ambiente em três, quatro ou mais idiomas. Os goles de bebida são apenas parte da liturgia do lugar.

Quem sabe eu não consiga, nas minhas próximas férias, voltar a Barcelona, à bela Barcelona da Sagrada Família, da Casa Batlló, de Miró e de Gaudí? Essa cidade antiga, mas de ares modernos, que nunca quero deixar de visitar porque, juntos, ainda não rimos tudo o que temos a rir.  

 
Atualizado em ( 30-Ago-2017 )
 
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