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Onda Latina

quarta
13.Dez 2017
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Uma foto em Buenos Ayres PDF Imprimir E-mail
Escrito por Umba Hum   
20-Nov-2017

obelisco_-_bsas_-_franklin_valverde.jpgUm álbum de fotos com suas inúmeras fotos, com inúmeros recortes da realidade... Registramos hoje em fotos, com as máquinas digitais, muito mais que se registrava há poucos anos. O arquivo do computador guarda imagens, lembranças: vemo-las de maneira diferente da que víamos; modificamo-las de acordo com desejos mágicos, fantásticos, fantasmagóricos, inquietantes, herméticos, hierográficos, arcânicos, ideogramáticos, wiquianos...

 

Dois meses atrás, estive na Argentina com ela. Foram oito dias em Buenos Ayres e muitas, muitas fotografias resultaram das rotas turísticas do pacote da agência de viagens CVC, comprado aqui em São Paulo: passeio pelo Tigre, os indefectíveis City Tour e noite de Tango... Mas a rota não se limitou ao pacote CVC, e na Argentina, diante de tantas imagens de Cortázar na Feira de artesanato na Plaza Torcuato de Alvear, nos arredores do Cemitério de la Recoleta e da Basílica Nuestra Senõra del Pilar, na Feira de Antiguidades da Plaza Dorrego, em San Telmo, nos muitos camelôs no Caminito, fiquei a pensar sobre o ato de fotografar numa viagem turística.

 

Fotografia, Cortázar, “Las Babas del Diablo”, conto de Las armas secretas, juntaram-se em minha imaginação nos dias frios de inverno em que estivemos em Buenos Ayres. No conto, um fotógrafo de ocasião num parque em Paris fotografa despretensiosamente. Ao revelar as fotos, na ampliação, indícios de um assassinato... Não deixa de ser curioso pensar que a fotografia, uma sombra da realidade, revele uma realidade e sentimentos despercebidos na mesma medida em que possa falseá-los.

Ao chegarmos em Buenos Ayres, um mal entendido com o taxista que nos conduziria do Aeroporto de Ezeiza ao Kempinski Hotel Park Plaza, na Calle Parera, no bairro Recoleta (inepto e mal humorado, apesar do senão dela, ele nos deixou num Hotel errado). Resolvido o equívoco (tivemos de pagar uma segunda caminhada de Táxi), chegamos a um edifício com a arquitetura característica do Recoleta: forte influência da Art Nouveau.

No Hotel, diante das arcadas, algumas fotos. Depois, após passarmos pela recepção, outras fotos no Hall de entrada. Enquanto o camareiro carregava as malas, observei a mobília: entre as colunas, poltronas, canapés, um console suportando um computador, armários, tudo no estilo Luiz XIV. Ainda no Hall, antes de entrar no premido elevador, parei e fiquei com impressão de profundidade que se mostrou falsa: entre as escadas e elevadores acessa-se o restaurante, no qual só segundos após pude notar que um espelho ao fundo cobria toda a parede; como fotografias, espelhos multiplicam espaços e objetos...

O Kempinsk Plaza, a arquitetura dos prédios do Recoleta, como mostram as fotos tiradas, exibe um ar que para os paulistas lembra os anos 50 no centro velho. Uma caminhada pelas ruas em volta da Calle Parera e a sensação de que os prédios próximos à Praça da República, ao Largo do Arouche, à Estação Júlio Prestes, à Avenida São Luiz com a Ipiranga, revelam diferenças profundas entre nós e os portenhos. Nos adornos, nas fachadas, nos arquetraves, nas sacadas, nas janelas, nos telhados, tanta semelhança e diferença...

No dia seguinte à chegada, num domingo, fomos à feira de artesanato, na Plaza Torcuato de Alvear. Diante de posteres de Cortázar penso: Cortázar morreu em 84. Foi quando fiquei sabendo dele. Logo li Todos os fogos o fogo, Bestiário, Os prêmios, Histórias de cronópios e de famas. Demorei a pegar O jogo da amarelinha e até pouco tempo só tinha lido deste algumas partes. Gostei muito de ler Cortázar tantos anos atrás. Com o tempo me pareceu aborrecido, mas sempre esteve entre os escritores de que não me separo. Dois ou três anos atrás, resolvi ler, nas diversas possibilidades, O jogo da amarelinha: um experimento que me absorveu. Do ano passado para cá, li o chileno Roberto Bolaño, Detetives selvagens, que me fez lembrar de O jogo da amarelinha, e algumas páginas do Passado, de Alan Pauls, o escritor argentino mais badalado do momento. Não continuei a leitura do Passado de Pauls porque não gostei (saiu dele há pouco por aqui História do pranto, sobre seus anos de adolescência sob a ditadura Videla: na livraria El Ateneo, com ela, folheei algumas páginas...). A viagem à Argentina, os detetives de Bolaño, o Passado de Pauls, me fizeram novamente procurar Cortázar, um escritor imaginativo, dotado de humor que exige do leitor lastro para sacar as referências que utiliza, e muito, muito mesmo, cínico. Escrever para ele é uma extensão da vida, mas isso ele trata com profundo desdém. Para mim, é bom me reaproximar de Cortázar; na volta da viagem, quando notei, tinha às mãos Las armas secretas e um imã de geladeira com o rosto de Cortázar, que agora adorna meu refrigerador...

De imediato, não dei importância ao excesso de fotografias. Faz parte do ritual turístico. E ela, tão envolvida com todos os detalhes que cobrem uma viagem, não se eximiria de registrar com a máquina (...) os momentos passados em Buenos Ayres. Até que, no ônibus turístico com outros turistas que compraram o pacote para o City Tour, me dei conta de que a ato de fotografar assumia ar coreográfico. Enquanto a guia descrevia a importância de prédios, esculturas, ruas, fachadas, arvores, todos, maquinalmente, fotografavam. Sentado ao lado dela, ouvi um turista: “vou passar para o outro lado..., tudo que é legal tá do lado de lá...”.

Sim, foi nesse instante que fiquei com a impressão de que os monumentos, as histórias contadas pela guia, não eram o mais importante: o ato de fotografar era tão somente um ritual coreográfico quando minha memória se ateve à Plaza de Mayo, à Pirâmide de Mayo, à Casa Rosada, às mães na Plaza, à ditadura militar... Parado, naquela manhã fria de inverno em Buenos Ayres na Plaza de Mayo, lembrei dos momentos em que acompanhava, adolescente ainda, o infausto destino de Isabelita Perón em 1976...

Ela me pediu para que a fotografasse com a edificação ao fundo da Iglesia de San Ignácio, começada em 1586... – é a mais antiga da cidade e foi o templo maior dos jesuítas. Aprumei a máquina, mantive-me a uma distância adequada... A fotografia saiu tremida. Ela se inquietou com meu alheamento. Tento outra fotografia... Para ela, estudiosa da ordem de San Ignácio de Loyola, a Igreja dos Jesuítas tem significado especial e uma foto é um registro histórico... Mas novamente a foto não saiu boa... Ela estava inteira, mas a torre da igreja foi cortada, por conta de um movimento inadvertido de minha mão, no instante em que pressionei o botão que abre espaço para o efeito da luz que reflete... Ela raiou comigo novamente, falou que não estava nem aí para o que é importante para ela. Eu, carrancudo, olho para o céu da Plaza de Mayo, sinto que estou em falta e... Ao nosso lado, alegres, tantos turistas com aparelhos fotográficos em punho...

Como no conto de Cortázar, entre inúmeras fotografias talvez uma não seja só uma fotografia. Talvez revele algo despercebido, algum sentimento... Mas em outro momento, como na Plaza de Mayo, minhas recordações seriam outras, evocariam uma situação e aí eu teria outros olhos para contemplá-la. Naquele instante o ato de fotografar me parecia, como o clima, por demais frio, convencional.

Voltamos para São Paulo. O álbum de fotos foi exibido aos parentes, aos amigos, posto nas redes sociais, guardado na memória do computador. Depois do feliz período em Buenos Ayres, intercalado por pequenas ranhuras por causa de meu alheamento ao ritual fotográfico, li na Folha que Caetano Veloso, em turnê pela Europa, estava alimentando seu blog com fotos de uma mesma escultura feita em vários ângulos em Caserta, na Itália. Abaixo das fotos da escultura em Caserta, ele escreveu: “Eu nunca tive uma câmera e quase nunca tiro fotografias. Lembro do tempo em que só os japoneses tiravam fotografia de tudo, o tempo todo, e nós achávamos engraçado. Bepe, nosso guia sardo, na Itália, contou que os japoneses da equipe que rodava um documentário sobre a Sardenha tiravam fotos de todos os pratos que iam comer nos restaurantes. Eu, que queria ser cineasta, acho chato quando se tira muita foto da gente nas praias, no Carnaval, nas celebrações, porque parece que tudo perde o gosto... Fotografar ou filmar é como sair dali e olhar de fora. E parar para ser fotografado atrapalha”.

Li para ela, que deu leve sorriso: “É, Caetano é assim, mas ele tirou as fotos da escultura...”. Sim, Caetano é assim: irônico, provocativo... Passados mais alguns dias e li no Estadão crônica de Ignácio de Loyola Brandão sobre viagem que ele fez a Berlim. “Já estou aqui, mas me permitam voltar, uma vez mais, a Berlim, pelo fascínio que ela desperta atualmente. O Museu Egípcio que ficava em Charlottenburg, na Schloßstrasse em frente do castelo, mudou-se para o imponente e renovado Altes Museum no Mitte. Na Berlim dividida, o Altes Museum, na RDA, mostrava ainda os vestígios das metralhas e dos bombardeios, o governo comunista fez uma maquilagem que mal escondeu os buracos das balas e dos estilhaços das bombas. Isso é passado, olhemos Berlim como a cidade que procura esquecer esse passado, ocultá-lo. Estrela maior continua Nefertiti, assim como Paris tem a Mona Lisa, Madri a Guernica, Florença o Davi. Nefertiti, linda e hipnotizante atrai, fascina, porém os turistas não a vêem. Não há contemplação. A cena chega a ser grotesca. Os modernos perderam os olhos, o prazer de ver. Frente à urna de vidro que protege o busto, centenas de pessoas colocam-se para serem fotografadas. Marido fotografa mulher, mulher fotografa marido, jovens se fotografam e se vão. Postei-me, sem câmera, diante do busto por alguns minutos, tentando me concentrar, porém fui empurrado por um senhor que queria fotografar. ‘Chega, já viu, nem fotografou, o que vai mostrar?’, disse-me. Ao olhar Nefertiti por trás, percebi uma mulher que, do lado oposto, fazia gestos irritados para que eu saísse do foco de sua objetiva. Continuei imóvel, o marido veio me advertir rispido: ‘Get out’, caia fora. Não são apenas os japoneses endoidecidos com suas câmeras, são alemães, americanos, italianos, franceses, tailandeses, espanhóis, brasileiros, até esquimós. A viagem é vista (será?) depois, num monitor. O que significa viajar?”

Separei a crônica de Loyola Brandão e a deixei no canto do sofá para ela ler, quando voltasse das aulas para turma de 4ª série no Queiroz Telles. Ela chegou, viu o jornal e leu Ignácio de Loyola. Nesses dias, para seu projeto sobre os Jesuítas, ela tem lido muito sobre Loyola, o fundador da Companhia de Jesus... Do computador em que me ponho a escrever, vejo na mesa de trabalho dela Os Jesuítas: missões, mitos e histórias, de Jonathan Wright. Lembro da foto que tirei dela, tendo ao fundo a Iglesia da San Ignacio com a torre cortada; lembro do rosto dela, da blusa cinza com gorro que protegia do frio seu corpo; lembro da arquitetura, da Plaza, das máquinas fotográficas dos turistas, e me vem o desejo de rever, entre as inúmeras fotos tiradas naquela manhã, apenas aquela.

Na tela do computador, agora, vejo imagens de Buenos Ayres: o Obelisco na Avenida 9 de Julho, a Plaza de Mayo, a Pirâmide, a Casa Rosada, a Catedral Metropolitana, o Cabildo, solar onde os jesuítas se instalaram... São imagens que me trazem lembranças dos dias na Argentina, dos turistas com suas máquinas digitais, dos pombos em volta das edificações, das pessoas envoltas em seus afazeres, da guia que discursava sobre esculturas, plazas, calles, iglesias...: todos ouviam-na e logo punham-se a fotografar; ela teria ouvido que a edificação da foto em que falta a torre era a da Iglesia de San Ignacio...? Teria se confundido com tantas informações? Quase do mesmo ângulo daquela tirada por mim, sem a presença dela, no que seria a Iglesia de San Ignacio vejo no Wikipédia uma fotografia do Cabildo.

Foto: Obelisco - Franklin Valverde
Atualizado em ( 20-Nov-2017 )
 
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