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Onda Latina

domingo
23.Set 2018
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O Professor B PDF Imprimir E-mail
Escrito por Umba Hum   
20-Dez-2017
dracula_b_-_franklin_valverde.jpgO professor B, depois de concluído o curso de filosofia aqui no Brasil, na USP, passou alguns anos na Europa, onde fez amizades, deu aulas, escreveu, viajou, casou e descasou. De volta ao Brasil, estabeleceu-se por anos na moradia estudantil na USP e em muquifos na orla uspiana; nessa volta fez mestrado e doutorado: estudou as obras de Stewart Mill e Mandeville. Nesse período, o professor B não exerceu atividade docente, apenas se dedicou ao ofício da leitura e a conversas com professores, estudantes e muitos viandantes que vagavam pelas galerias e saguão do prédio da faculdade.  

Nesses papos falava sobre qualquer assunto (arredio às recomendações de convivência social e destemido, frequentemente punha contra a parede seus interlocutores de ocasião) e foi assim que o conheci anos atrás: apontei equívoco em sua interpretação da versão cinematográfica do “Drácula”, de Bram Stoker... Logo, entre nós estabeleceu-se conversação que se estendeu do saguão da faculdade para a troca de e-mails. Uma conversação sobre assuntos tão prosaicos e dispersivos que irritaria qualquer ser humano à nossa volta...

Depois de muitos anos na moradia estudantil, o professor B passou num concurso público para dar aulas de filosofia em Cuiabá, na UFMT. Com sua ida a Cuiabá, passamos a manter, o que se mantinha por aqui, correspondência por e-mail. Abaixo, transcrevo uma de nossas infindáveis conversas sobre assuntos tão etéreos quanto errôneos.

– Agora que você se casou com a Sra. C., está se considerando uma pessoa importante demais para escrever para esse obscuro professor aqui..., deus castiga.... Assim ele inicia uma prosa

– Mas eu nunca deixo de escrever para você! Eu sempre lhe escrevo! Isso a parte, essa semana está bem turbulenta no meu cotidiano. Trabalho na faculdade, muita reunião, muita coisinha, professor que falta na disciplina tal...; tem uma entrevista que estou para fazer com a filha do Glauber Rocha, mas ela está me enrolando; tem crítica do mês para a Revista de Cinema; o editor da revista Trópico me pediu para entrevistar o Vladimir Safatle...; estou me ajeitando ainda com as novidades em casa e a nova vida com a Sra. C. Mas eu lhe escrevo sim, sempre.

– Escrevi de PURA SACANAGEM....– Justo comigo, que sou um homem bom...

– Cara, se você fosse bom, não o diria...

– Horácio, o coronel/latifundiário de "Dragão da maldade", de Glauber, depois que o matador de cangaceiros mata Coirama, o último cangaceiro, pede para um serviçal que dê farinha e carne seca prô povo. Enquanto é feita a distribuição, ele repete a ladainha: "Batista, abra o armazém, dê farinha e carne seca prô povo, pois eu sou um homem bom...".  Estou reconstruindo significados. Sra. C. está em fase de "adaptação". E nisso vai muito equívoco na comunicação, nas expectativas... Comprar uma cama pode ser uma decisão tão carregada quanto a que envolveu Nikita Kruschev e John Kennedy, com a saída dos mísseis em Cuba. Bem, mas em clima de guerra fria tudo acabou bem, certo?

– Kruschev caiu do cavalo, né? Mas vê aí como as coisas vão, para ver como é que ficam.... Agora que dou aulas na melhor universidade federal do país, minha humildade num tem limites...

– Caiu pouco depois; Kennedy também caiu...; mas a crise dos mísseis teve um bom desfecho: tudo acabou bem naquela situação. Certo, em tudo há desdobramentos...; mas aí é preciso ter bola de cristal. Semana muito complicada. Ainda não resolvi minha rotina de trabalho. Leio o Safatle; parece-me muito presunçoso e hermético; demonstra profundo desprezo por tudo que não está no raio de interesse de suas "preocupações filosóficas": Hegel, Marx, Sartre, Kojève, Lukács, Adorno, Lacan, Zizek, Sloterdijk são suas referências para falar de cinismo. É o tipo de esquerda arantiana da USP. Há provocações subliminares o tempo todo; mas, como não saco os códigos, fico muitas vezes na superfície. E, me conta como vão as coisas por aí na UFMT.

– Aqui, tô dando aulas, e levando foras de professoras velhuscas... Pelo menos tenho várias alunas este semestre que enfeitam a classe... No mais, nenhum sinal de vida inteligente à vista.... O jeito é ficar no meu quarto mesmo, torrando sob este calor infernal... Quem sabe mês que vem dê para eu comprar um ar condicionado... E você, a quantas anda, old boy? Muito trabalho?

– É, o tempo passa e as velhuscas são chatas... Aqui estou indo, mais na burocracia que nos estudos. Estou lendo o Milton Hatoum, "Relato de certo oriente". Gostei do jeito dele escrever. No mais, terminei entrevista com o Safatle, que me parece o mais irascível de todos os meus entrevistados. Entre outros, para ele a Itália caminha para um Estado fechado...; e parece que não é animado com a democracia liberal... Com tempo lhe escrevo melhor.

– E então, vai ter um bom fim de semana, com cinema e conversa boa? Espero que sim...; mas precisamos conversar sobre saídas da esquerda para a "crise" atual...

– A esquerda e suas saídas. É, é um papo que merece pausa. Mas você pode me dizer o quer o John McCain com a indicação Sra. Sara Palin pra vice??? Acharia estranho escolher um Mórmon, mas ele exagerou. Ou não? Se for certo que Obama Barack é inexperiente, que dizer da Sra. Palin? Você, que manja como poucos de política americana nesse país tropical, pode me dizer de experiência anterior tão heterodoxa? (a conversa com o professor B deu-se por ocasião da eleição presidencial americana...)

– Escolher vices estranhos já é tradição. E mesmo um vice tão estranho como a governadora do Alasca só confirma a tradição. ...Tudo é uma questão de ganhar votos, não de governabilidade. Uma mulher da direita, pró-família, atrai, sim, votantes, e não afasta os já decididos em votar em Cain. Pena que ela não seja negra, porque aí então o negócio ia pegar fogo. Obama é uma incógnita, mas Cain é um alienado. Com qualquer um dos dois os USA continuarão seu (longo) caminho de decadência. Mas, prefiro o havaiano...; fica mais bonito na foto,  emociona mais...  Num é só uma questão de papo. Quem gosta de violência (muitos não tem posição política), seja direita ou esquerda, quer apenas destruir seus inimigos... Aliás, minha saúde está cambaleante... e a vida aqui é chata...

– Estou aguardando teus escritos prometidos (professor B ficou alguns dias sem me escrever, depois de prometer uma longa carta e mencionar reticentemente sobre sua saúde). Imaginei estivesse com pedra no caminho. Quê rola com a saúde? Cuide-se. A vida é chata aí? Você de novo me faz lembrar o vienense que se desagrada em Tratenbach (na correspondência com Bertrand Russel, morando na referida cidade Wittgenstein diz que seus habitantes são os piores do mundo).

– Num acho o pessoal daqui pior do que de outros lugares. É que vivo outro tipo de vida. Tenho alunas e alunos que me adoram, mas  não é disso que se trata... Ando adoentado, e com saudades... Continuo doente, sorry. Escrevo pouco em casa, mas amanhã devo mandar algo, infelizmente curto. Boas leituras e visadas... Abraços

– Seus últimos escritos tão meio macambúzios. Sei da saudade, que tá meio adoentado. Cuide-se, nesse lugar que imagino quente... Aqui acabou o inverno, mas não o frio, apesar de a imprensa repetir ad nauseam que é o inverno mais quente desde a última glaciação: terça passada peguei a Sra. C. na USP e o termômetro marcava 9ºC, quarta esquentou um pouco: 11ºC. Faz sol hoje, mas as manhãs têm sido frias. Assisti na TV ontem a trilogia Bourne, sobre o espião desmemoriado que a CIA quer eliminar porque sabe que tem informações que não podem fugir do controle. Muito barulho, muita "cena d´ação", Matt Damon encarna bem o papel, e eu gostei da ideia...

– Do tal Bourne, o primeiro da série funciona, os outros foram água na fervura (mas fizeram sucesso).... Estou mais que macambúzio.... Boa sorte no frio de Sampa...

– É, meu caro, mais que macambúzio no meio do Brasil não é a melhor coisa... Desejo que as coisas se ajeitem e você passe por esse momento. Gostaria de lê-lo numa situação melhor.

– Há tristeza de viver, e há a tristeza de morrer...; parece que tô mais para a segunda...

– Sentença muito reticente e hermética. Não consigo decifrar. Que problema de saúde estais tendo? Eu também sinto a tristeza da vida. Não fico triste, contudo, quando penso na morte: para muitas coisas me sinto completamente morto e apenas sei disso e nada mais. Isso a parte, leio, às vezes escrevo, vejo filmes, falo com algum desavisado que me ouve... Não tenho tido problema de saúde, mas muitas vezes sinto que a vida convalesce e estiola.

– É isso aí; abraços mortos do professor B.

– Se precisar de algo que esteja ao meu alcance, conte comigo...

– Um elixir da juventude viria a calhar....

– Pois é, toda vez que me olho no espelho...; tivesse o elixir, ele dir-me-ia.... Sem elixir, quanto a saúde, estais melhor?

– Saúde piorando paulatinamente... Nada anormal nisso. Impulso vivificante em declínio...; sem vontade de nada...; enfim, tudo como deveria estar... Vou terminar a cartinha prô cê. Que tudo esteja bem aí na megalópole... Aqui, na mesma...

– Aguardo tua cartinha. Aqui na megalópole tudo vai indo. Espero sinceramente que as coisas mudem para melhor por aí.

– Vai anexo a chata cartinha que levei semanas para escrever... Vida aqui muito chata e inconsequente... Li a cartinha do professor B e transcrevo fragmentos:“Li sua última mensagem. Quando estava muito mal aqui, meses atrás, escrevi para Milene que “Cuiabá é o pior lugar do mundo” e que “as pessoas de Cuiabá são as piores pessoas do mundo”, e logo na mensagem seguinte expliquei o contexto. Uma boa piada, na época. Mas, nem então aqui era o pior lugar do mundo, embora eu estivesse morando no pior lugar que já morei até agora. Mas sempre há um pior lugar onde se morou, principalmente para quem, como eu fiz, já morou em dezenas de endereços. Hoje em dia, sou bem tratado aqui, e na UFMT mando nos alunos, uma graça pela qual não sou responsável. Aqui dou aulas numa universidade pública da qual a maioria dos alunos se orgulha de pertencer... Afora a saúde em decadência... não haveria o que reclamar. Tenho um livro encomendado para escrever, outra tradução já nos estágios finais de revisão (me dizem), dou pareceres para uma revista de ética, e fui convidado para duas bancas, que não pude aceitar. De fora, a turma me escreve com frequência; alguns sempre, praticamente dia sim e no outro também. Longe de ser o pior lugar do mundo, Cuiabá poderia ser o melhor, não fosse eu um lume spento...”

“Que teria de haver uma dispersão é fato. Afinal, a maioria das pessoas que conheço não é de Sampa, assim como eu, e muitas não permaneceriam mesmo nessa cidade horripilante. Então, ocorreu apenas o inevitável, não teria sido muito diferente, ou mesmo não seria nada diferente, em qualquer outro lugar. Uma coisa, porém, é entender, outra é aceitar numa boa. É difícil, como é também para outros professores que não são daqui. Meio que um lugar de exílio, dependendo de condições várias. Os professores mais jovens podem fazer planos (um deles está desesperado atrás de uma namorada, espero que já tenha encontrado), mas com o velhinho aqui o caso é diferente...” “Terminando, pessoas para conviver (não numa base diária) aqui não as tenho, faz falta mesmo conversas. Ninguém para trocar ideias sobre Obama Barack, por exemplo. Ou de literatura... Ou futebol. Essas coisas. Enfim, é isso, meu caro Humble. Abraços...”  E assim têm se passado os dias do professor B em Cuiabá. Tudo na mais absoluta ordem: aulas, alunos, traduções, livros, pareceres... Ordem que também se mantém por aqui. O cotidiano absorve e mata. Nada tão tedioso quanto acordar um dia depois do outro, olhar o sol que nasce, ponderar sobre os afazeres... Resta a correspondência, dia sim e outro também. Ambos velhinhos, como diria o professor B, consolamo-nos com assuntos erráticos, truncados, dispersos, sobre filmes, eleição americana, estado de saúde, humores, mudança de hábitos...; nossa correspondência agora é sobre as semelhanças de caráter entre Liberty Valance e Bill Munny, personagens de “O Homem que matou o fascínora” e “Os Imperdoáveis”...

– ... não tenho com quem conversar sobre essas coisas que vejo nos filmes... – escrevo-lhe.

– ... ora, ora, conversar sobre cinema...; assiste-se a filmes para se falar sobre eles, como quereria Pascal, se tivesse este visto um filme.... Abraços..... – ele me responde.

Ilustração: Drácula B - Franklin Valverde

Atualizado em ( 20-Dez-2017 )
 
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