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sexta
18.Jan 2019
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Uma mente dispersiva PDF Imprimir E-mail
Escrito por Umba Hum   
12-Dez-2018

dispersivo_-_franklin_valverde.jpgEstá deitado na poltrona. Na frente dele, a TV ligada. Na TV, um filme no Canal Futura: Cine Conhecimento. É já uma da madrugada; o filme começou à meia-noite e meia. Ele tenta inicialmente descobrir em que idioma os personagens falam. No Cine Conhecimento são exibidos, com apresentação inicial do tema, diretor, detalhes de filmagens feitos por Renata Guida, filmes do sudeste asiático, iranianos, argentinos, holandeses, franceses, tchecos, poloneses, russos, georgianos, dinamarqueses, austríacos, peruanos, espanhóis... Para ele, um bom exercício era identificar a geografia, o espaço cultural... Isso não lhe oferecia dificuldades... Num filme europeu ou mesmo iraniano ou do sudeste asiático não era preciso mais que um plano para a identificação: as roupas, detalhes de construções, comportamentos, paisagem lhe permitiam reconhecer Taiwan e não confundi-la com imagens de Kyushu, ou da Mandchuria... As imagens que vê são de um filme europeu. A língua, não lhe veio de imediato a certeza: um filme tcheco? Polonês? Russo? Não sabe alemão, mas reconhece a dicção depois de poucas falas. Sabe que o filme não é alemão. Mas não tem a mesma facilidade para identificar o som das palavras russas, tchecas, polonesas, húngaras...; as imagens são urbanas...

 

Passados alguns segundos e a paisagem urbana, o comportamento dos personagens, os carros lhe dão forte convicção tratar-se de um filme polonês. Não reconhece a cidade: pode ser Varsóvia...; lembra-se de “Não matarás”, “Não amarás”, dos conjuntos habitacionais desses filmes de Kieslowski... Não demora, contudo, para ter sua convicção confirmada. Além de se tratar de um filme polonês não tem informações, contudo, sobre o diretor, o título... Mantém, por alguns instantes, a atenção às imagens. Não consegue – e não faz qualquer esforço – dar-se conta da narrativa. Vê a presença de uma mulher num carro. O carro não trafegava numa autoestrada nem na cidade. A estrada tinha a feição dessas artérias que ligam duas pequenas cidades próximas: a vegetação, as habitações esparsas, a estreiteza da via eram os indícios mais notáveis. O tempo estava pesado. A chuva que caia, no entanto, não era assustadora: podia-se, no asfalto molhado, conduzir o carro com cuidado.

A câmara enquadrava o rosto da mulher. No rosto um ar carregado. Um carro passou por ela e logo se ouviu um grande barulho. A imagem de seu rosto é cortada e via-se um carro espatifado na traseira de um caminhão. Ela ficou horrorizada com a cena. Em pouco tempo uma multidão se aglomerou em volta. Ela parou, saiu do carro e viu o resgate retirar um corpo inerte das ferragens. A câmara, que fazia a perspectiva do olhar dela, enquadrava as mãos ensangüentadas do morto, brevemente. Corte e novamente o rosto dela; outro corte e um rosto ensangüentado é visto com o movimento do resgate...

As imagens despertam sua atenção. Mas não se atém à trama... Enquanto vê o filme, lhe vem à lembrança de um dia, num ônibus, na Av. Paulista, a presença de um mendigo numa cabine envidraçada do metrô Brigadeiro. Eram aproximadamente 11 horas da noite e, com a saída dos alunos da Cásper Líbero, o trânsito ficava lento. O ônibus reteve-se por alguns segundos ao lado da cabine. O mendigo estava sentado com as costas repousadas na parede oposta à entrada dos que circulavam para pegar o metrô. De seu lado direito, uma escada rolante que levava os transeuntes ao subsolo. Do ônibus, ele podia apenas ver a parte superior do dorso e a cabeça do mendigo, envolta numa cabeleira desgrenhada; podia notar também, mas apenas esparsamente, que não era negro e que tinha a barba longa. As pessoas entravam na cabine, viam-no, tinham um leve retraimento dos movimentos, mas continuavam em direção à escada rolante. O mendigo levantava as duas mãos, vociferava algo inaudível...; possivelmente pedia esmola...

As imagens do mendigo, do filme, sumiram por alguns instantes com um cochilo. Quando desperta, volta a ver a mulher, com um homem num escritório. O diálogo entre eles é cansativo. Ele mantém a TV ligada no Cine Conhecimento, mas levanta-se vai ao banheiro, pega um livro e começa a lê-lo ao acaso. É um romance, Panamérica, de Jose Agripino de Paula. Ele lê algumas páginas sem muito entusiasmo. Agripino é um ícone dos anos 60. Poucos dias antes foi ao lançamento em DVD de Hitler 3º Mundo, filme marginal de Agripino, um artista que passou os últimos anos de vida recluso em Embu das Artes.

A lembrança do rosto de Agripino, barbudo e com cabelos desgrenhados, levam-no a associar sua imagem à do mendigo no metrô Brigadeiro. Os mendigos sempre lhe despertaram curiosidade e sentido de mistério; um estágio anterior ao da barbárie, uma espécie de presença mórbida entre o Neandertal e o homo sapiens. Assim, toda vez que passava pela Av. Pedroso de Moraes e via um mendigo no canteiro central o tempo todo coberto por jornais, papelões e plásticos de lixo e escrevendo sem parar ficava perturbado com a cena. Quem, nas vielas de Embu das Artes, não conhecesse Agripino, não teria impressão diferente da que qualquer um tem diante do mendigo no metrô Brigadeiro ou o da Pedroso...

A leitura de Panamérica, o filme polonês de que não mais acompanhava as imagens se diluem completamente em sua mente. Cochila novamente, com Agripino sobre o tórax... Embora, depois de novamente despertar, não tivesse qualquer atenção ao filme, as imagens do acidente, o enquadramento da câmara no rosto da mulher, do morto, levam-no a especular sobre o estranhamento diante de imagens que surpreendem, causam ojeriza ou simplesmente incompreensão...

Em repouso, continua vendo um filme de que não consegue identificar a trama... não consegue entrar na narrativa.... No filme, no ônibus ao lado do metrô, na leitura do livro, tudo um tanto confuso em sua mente... com um sentido de absurdo. Com o livro de Agripino pousado no tórax, ele especula sobre situações cobertas de normalidade, convenções sociais que não causam incompreensão. Convidado para evento de aposentadoria do pai dela, ao chegar em casa deixou registrado episódio cuja narrativa seque-se abaixo:

“Ela de fato é chata e acha que o umbigo dela é o mundo. Às vezes, todos achamos também, mas às vezes uns acham mais e não se cansam de olhar o umbigo. E as irmãs dela por isso pilheram com ela quando ela parece não concordar com o convencional ajustado ao bem da situação social. Ela também é como as irmãs e gosta de perguntar prô espelho se ele está de acordo. Claro que quando ela pergunta sabe a reposta. E no dia do último dia de labuta paterna ela recebeu um não do espelho, digo, mãe e irmã, por causa do vespertino uso de meia arrastão. As irmãs e mãe não pensaram assim, mas podiam ter pensado: – mina, deveras Moulin Rouge! Você não tá indo prum evento no basfond da Paris de Toulousse Lautrec. Ela, irada, dizia: - é preciso saber como usar uma meia arrastão. Mas ela, porque ela também é assim, bem podia dizer às irmãs e mãe: – vejam! não é bem assim, vocês precisam saber da tênue diferença de significado entre vulgaridade e ousadia; li com calma ‘O caminho de Swan’ para notar quem é Odete de Grecy e notei que numa coquete basfond há vulgaridade, mas numa dama da sociedade esconder o charme e ousadia pode significar um quinhão de conservadorismo vitoriano; vivesse na Inglaterra seria tore, não wig, nas gálias estou entre os que defendem Dreiffus. Sim, sim, ela sabe a diferença entre o vulgar e o ousado. A meia arrastão compunha com um vestido xadrez com quadradinhos bem pequenos tão pequenos que podem gerar vertigem, vestidinho apertado em sua silhueta aquilina e que cobria três quartos do joelho pra cima e na cintura estava envolto com uma tira lenço preta e um adorno preto em forma de flor do lado esquerdo. Acresce-se à composição cabelo com penteado avant-garde e maquiagem plenamente de acordo com o todo, o que, para além do basfond francês, mais poderia ser visto como um estilo vitrine ozmoze. Assim, no todo, estava ela de acordo não com as conveniências vitorianas, mas com os modelos que sempre vê nos programas GNT. Dos quais ela muito aprecia os de suas amigas Erika Palomino e Fernanda Motta. Aliás, dúvida tivesse, as consultaria. Assim ela caminha, com um pé no visual vitoriano, para não ser, como convém, demasiado ousada, mas por vezes faz valer seu charme avant-garde com toques ozmoze. Irmãs e mãe? Claro, são vitorianamente elegantes.”

A mente dispersiva, cenas que causam estranheza, mendigos e artistas, a normalidade nas cerimônias sociais...; deposita Agripino no pufe ao lado, levanta-se, desligou a TV e dorme deitado na poltrona.

Ilustração: Dispersivo - Franklin Valverde

Atualizado em ( 12-Dez-2018 )
 
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