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23.Jan 2022
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Fragmentos do diário de um professor de... PDF Imprimir E-mail
Escrito por Umba Hum   
19-Dez-2021

wind.focajitip.bar fragmentos_do_dirio.jpg28/03/28 – O que escrever? Não sei. Há momentos em que, diante do papel, não desperta nada importante para registro. Bem, se é certo que o papel está aqui, não há o que pensar em escrever, como outrora inundado estava com tanto assunto. Se não há assunto para escrever, então talvez escrever sem assunto. JS é um bom chefe. Baixinho, pouco mais de 1,60 m de altura. Cabeleira guarda o ar de uma época em que cabeludo era sinal de rebeldia. Ondulada, quase toca os ombros e displicentemente separada do lado esquerdo. Imperceptíveis fios brancos. Rosto barbeado pela manhã. Passado dos cinquenta, tem não obstante movimentos rápidos Está sempre agitado e revela ansiedade no que faz. Não almoça, nem janta, nos horários convencionais ou locais adequados. Come na sala de trabalho um lanche saudável comprado na lanchonete da faculdade e bebe refrigerante em copo plástico com canudo. Nas reuniões com os professores, segue esse ritual antes de as iniciar.

Seu olhar é permanentemente perscrutador. Mantém-se numa posição em que fica sempre de frente, nunca se dispersa, está sempre atento ao que se passa ao redor. Faz o tipo que enquanto trabalha na frente computador não perde nenhuma movimentação dos professores. Teve excelente formação e domina de forma obsessiva seu ofício. Sua agenda encavala as mais numerosas solicitações. Nada lhe escapa. Controla tudo, é zeloso, e dotado de um olhar que deixa a impressão de que a menor escorregada de um professor é imediatamente percebida e censurada de forma sarcástica. Com isso, reage de maneira a gerar constrangimento e intimidar quem por ventura desponte como ameaça, acentuando seu exercício do poder imperial. “Professor, o senhor tá igual aluno, que entrega trabalho...”.

Trejeitos característicos? Sim. A leitura de https://city.bafasoxatuj.bar Sodoma e Gomorra, de Proust, e o Barão de Charlus, é uma boa imagem para, depois  do cotidiano profissional de JS, imaginar o bas fond de sua vida intima. Para o narrador de Proust, o submundo dos invertidos. Vive JS, assim, no tempo em que a palavra “invertido” era um eufemismo apropriado para dizer que a máscara social esconde uma opção terrível e vergonhosa. A ser, portanto, escondida sob qualquer pretexto. Atento a tudo ao que gira em sua volta, não nota ele entretanto que está despido num aquário, exposto a pilhérias. Não nota que o aquário e não o armário no qual acredita se esconder é absurdamente translúcido. Nele, os contornos de sua opção são delineados. Um peso que como Atlas carrega. Por isso, não consegue disfarçar, assim como Charlus, que no exercício do poder elege como inimigos aqueles que farejam a inversão. “Professor, o que você fala sempre tem um significado maior do que parece, não é? O que você fala nunca é só o que parece. Eu conheço bem você nos jogos com as palavras, você sabe”. Eu sei que você sabe que eu sei e eu sei que você sabe que eu sei que você sabe... Divertido e perturbador jogo de espelhos. Paradoxo da regressão. Alice cai na toca do Coelho Branco.

O ambiente no curso para ele foi um terreno minado. Alunos, colegas e chefe foram inimigos até que provassem o contrário. Prova de que invariavelmente teve contraprovas, mesmo quando estas pareceram tão absurdamente improváveis. Ele fora parar ali por um jogo de azar, ou um golpe do acaso. Como um pênalti a favor no minuto final de uma partida que, comemorado, desgraçadamente deve ser batido. Desempregado, e com histórico de desavenças em trabalhos anteriores, fora indicado casualmente por um antigo amigo, a quem contara sobre suas chagas e frustrações, para o cargo de professor de... Criou expectativa, pois esteve numa instituição renomada, onde não imaginou estar após acumular uma lista de insucessos profissionais. Não tinha ideia, contudo, de que seu modo um tanto ingênuo, anarquista, provocador, tão disruptivo por onde passara, ali atingisse níveis inauditos. “O pior lugar do mundo é aquele em que estamos”. Onde esteve, a dissimulação era moeda de troca. Garantia a sobrevivência. Um contratempo, uma gafe qualquer, era coberto por uma retórica de tolerância, de sinalização de que estava tudo sereno, suave, sem grilo. Um inadvertido punhal nas costas, no entanto, sinalizava o contrário. Ou, jamais tinha certeza de que um leve levantar de sobrolho fosse encarado de fato como algo para não ficar encanado. De qualquer forma, precisava sobreviver. Sabia que lhe cabia buscar ajuste. Sabia que estava no jogo. Sabia que na selva se busca sobreviver abatendo o que está na frente. Sabia que o homem é o lobo do homem, uma vez que essa máxima hobbesiana se lhe apresentava como verdade excruciante. E apenas mudaria o endereço estivesse dando aula em outro lugar, pois sabia que homens e mulheres são tão necessariamente loucos que não ser louco é ser louco de um outro tipo de loucura.  O fracasso espreita quem foge do jogo da vida. Que para uns não é senão acomodação.

29/03/28 – Há uma nota a fazer antes do início da aula. Apenas uma nota pra registrar a correria cotidiana. Não tinha assunto ontem. Não tem assunto hoje. O ar blasé carregado apenas.

Poucas horas depois...

29/03/28 – A aula passou. Alguns alunos são decididamente asquerosos. A maioria vive de renda, com tédio a tudo que seja minimamente confronto, exigência mesmo burocrática. Agressivamente desdenhosos, de um humor oscilante e perigoso, se fazem de tontos por conveniência e não escondem certo mal-estar frente ao professor, o motorista que os conduz, o bedel, a faxineira, a atendente na lanchonete. Todos somente satisfazem seus caprichos, mimos. Não passam de serviçais. Por isso, o sentimento de ter o papel social de artista é um belo engodo para quem o menor risco em aula é uma ameaça que mobiliza corte de cabeça. Um elefante com certeza não se acomoda bem num espaço com cristaleira de vidro. Rafa, Layla e Bruno são calhordas, incultos e levianos. Sempre atrasados e com expressão nauseabunda. Os pais pagam bem para que estudem nas melhores escolas e escolhem fazer arte. Rose tem pedigree e empáfia ímpar. Olha de cima pra baixo seus colegas alienados. De todos, é a mais culta e escrota. O resto da sala? Nada. Iris tem um charme triste e quem sabe sensibilidade artística. Julia exibe um olhar e um sorriso ao mesmo tempo tímido, envolvente e perdido. Renato, Renan e Marina são desatentos ao ponto de passar a impressão de que entram em sala de aula após uma boa tragada de cigarro de maconha. Paulo é da Zona Leste e com essa origem o restante da sala se afasta de seu odor.

05/04/28 – Lista de alunos pelos quais não há qualquer apego. Aqueles que merecem ser chamados de boçais. Rosa, Layla, Rafa, Bruno, Lu. Diante deles, não abrir jamais a guarda. Há uma segunda lista. Paulo, Nelson, Renato, Leyde. Não dão aporrinhação. Também não dizem nada. Há ainda uma terceira lista. Renan, Marina, Iris, Julia, Beatriz. Esses merecem algum afeto. Nada tão confiável. Esse, de qualquer forma, o grupo mais frágil. Esses três grupos são fechados. Não existe comunicação entre eles. Bruno exerce certa liderança entre os que estão próximos dele. Difícil dizer isso, no entanto. Suas manifestações são barulhentas e ferinas. Parece andar o tempo todo com faca entre os dentes. Vocifera com seus próprios colegas e para quem dar aula seu olhar é oblíquo. Nelson, da segunda lista, é temporão. Sério, dá sinais de desconforto, mas não vai além de esgares. A vida de artista para ele é o outro lado de seu dia a dia como médico cirurgião do cérebro humano. Beatriz, da terceira lista, também cheira mal.

28/05/28 – Encontrei Milles no Café..., o mesmo do relato “Um incidente no trânsito”, publicado no child.rurebeboju.xyz Onda Latina. Milles foi o único aluno em tantos anos que visitou minha casa. Parafraseando JL Godard, a cultura é a regra, a arte exceção. O encontro com ele, no dia do incidente..., foi também o único em que entrei no Café..., pois, contrariado, tentei disfarçar dele o desconforto por ter de pagar R$ 30,00 por duas xícaras de café tamanho médio. Ele sentiu o desconforto. Sabia que eu sabia que ele sabia... Novamente o paradoxo da regressão. “Aqui onde você trabalha também há divisão de classes. Uns são ricos, outros muito ricos, e há também os milionários”.

09/06/28 – Previsível estranha surpresa. De fato um terreno de solo estranho. O que é verdadeiramente bom na vida é o sentimento de que uma situação trivial é ao mesmo tempo bizarra Mas uma situação tola qualquer pode incomodar. É aquela em que o problema não está onde se vê, mas nas fantasias que habitam tão vasto mundo em que a fauna humana de agita. Há na vida muitas vezes um fundo apavorantemente passional. Breve lista de excêntricos perigosos. Rosa, Layla, Rafa. Um deslize  que por vezes durante a aula comente com o sobrenome da Rafa: Grostein Huck. “Senhorita Huck, está claro o que expliquei?”. “Por favor! Meu nome é Rafaela. Você já me chamou assim e eu não gosto que me chame assim”. “Sim, tudo bem, Rafaela...”. Reação: jamais voltar a lhe dirigir o olhar. Alice no chá de loucos. Erro na dose ou o tempo parou na hora do chá. Para quem tem um jeito de ser tão falsamente pegajoso e com isso busca uma cumplicidade minimamente desejável para tocar o expediente, boa lição de casa. Rafa, o misterioso sentido de seu sobrenome e o passo em falso. Guarda baixa quando não devia. Atenção, tudo é perigoso, é preciso estar atento e forte. Sentir na pele o sentido mais carnal do que é estar fora do quadro. “Puta que pariu! Podia ter passado sem essa”. Não existe cumplicidade no jogo de códigos em que a intimidação não é velada. Existe, por outro lado, uma atmosfera carregada, como a de uma panela de pressão que pode explodir sem aviso prévio. Uma corrida em círculos cada um em seu círculo sem regras, em que Alice se espanta ao ver que não há perdedores. Rafa é só assim um emblema. A aula para ela é uma perda de tempo. Ou tem o tempo do chapeleiro maluco, condenado a viver eternamente o mesmo tempo.

Ele não sabe mesmo qual é sua condição. Lewis Carrol é boa companhia. Mas também uma companhia perigosa. A fantasia, o nonsense, é um incômodo espelho. Nele, o consolo da ilusão. À criança dá prazer acreditar num mundo mágico e sem sentido. Esse um prazer que experimenta. No jogo sem regras, em que todos ganham, ele também não perde, pois pode escrever. E assim os caprichos dos outros, o paradoxo da regressão com o chefe, estão sem controle na arte da escrita, que, urdida, confronta o escabroso e o desatino. Mas não sabe em que mundo será lido. Se alguma vez será lido. Não sabe mesmo se fora da fantasia há um mundo realmente real, nem se palavras como real e fantasia se intercambiam. Não sabe mesmo se tudo que supostamente existe é uma projeção de espelhos ao infinito. Que fora do mundo há outro mundo, que fora desse outro há outro. E que assim não pensar assim é um tormento e pensar assim igualmente um tormento. Contradictoria ad invicem idem significant. Paradoxo na neutralidade ou do terceiro estado da essência. Existir e não existir significam a mesma coisa, aquilo que é e não é ao mesmo tempo.

Chega um dia como em outros em seu ambiente de trabalho, se retém no estacionamento para escrever. Novamente sem assunto. Mesmo assim, novamente, não deixa de escrever. Enquanto escreve, vê seu chefe estacionar ao lado. Não tem como disfarçar que não o viu. E com isso ficar em seu canto sem ser incomodado. Sai do carro e lhe dá um cordial bom dia. Como convém, o bom dia é respondido protocolarmente. Seu chefe se retém, abre o porta-malas, e retira uma infinidade de bugigangas. Livros, catálogos, revistas, apostilas, papéis avulsos e coloca tudo numa mala. Outro professor passa e também dá bom dia ao chefe. Ele caminha na alameda com carros à direita e à esquerda. Deixou o chefe para trás. “O que esse cara tanto carrega e faz questão de exibir? As 92 malas de Tulse Luper. A história começa em 1928...”. Sai do estacionamento, passa a catraca, avista alguns alunos que o ignoram. Continua caminhando. Cruza com uma professora com um sorriso matinal padrão. “Oi! Tudo bem?”. “Tudo ok, vamos nessa, não tem outro jeito”. Avista o diretor que se encaminha para a lanchonete. Está suficientemente distante para fingir que o vê. Caminha até a porta do prédio no qual assina o ponto. Nenhuma recomendação. Troca uma ou outra conversa fiada antes de se dirigir à sala de aula. Pontual, é o primeiro a chegar e encontrar a sala vazia. Relê de sobrevoo o que havia escrito no estacionamento só para passar o tempo, e depois de um tempo de espera Nelson e Paulo são os primeiros a entrar na sala. “Bom dia, professor”. “Bom dia, como vocês estão?”. “Tudo joia, mas o trânsito estava horrível. Nossa! Aqui tá abafado. Paulo, abre a janela aí. Esta sala tem um cheiro horrível”.  Enquanto eles se acomodam, vai até o lousa e esboça tópicos da aula. Ah, o rapaz que vigia o estacionamento lhe acenara, antes...

23/06/28 – Muitos se surpreendem com o que é apenas e tão somente surpreendente. Quem roubou as tortas da rainha? O acusado é avisado pelo juiz, o chefe, que pode reprovar todo mundo. Pois ele, o acusado, dá a palavra final. Mas isso é uma fantasia. No final, todos são aprovados e o acusado encarcerado pelo roubo.

Atualizado em ( 19-Dez-2021 )
 
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