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UM CONTO METAFÍSICO
Escrito por J. Dantas de Oliveira   
07-Jul-2011

abstrato001.jpgVou contar a todos uma história bastante curiosa, que é a história de minha própria morte. Morri numa sexta-feira, ou talvez num sábado, não me lembro ao certo O que sei é que foi dormindo, de uma quinta para a sexta-feira, ou da sexta para o sábado, que de repente percebi que tinha morrido. Veio-me à mente a ideia, defendida por muitos, de que a melhor morte é a morte de quem morre dormindo, pois imperceptivelmente passa de um sono para o outro, ou seja, do sono temporário para o sono definitivo.

Na verdade esse sono supostamente definitivo não é sono; foi o que me pareceu quando morri, porque achei-me de repente num lugar semi-iluminado, e o que parecia uma voz de alguém que eu não via me orientava para o que deveria fazer.

Disse-me a voz, apontando para dois caminhos que apareciam à frente: se você pegar o caminho da esquerda, voltará ao mundo material, para viver sua própria vida novamente. Gostei da ideia, pois poderia talvez corrigir tudo de errado que fizera anteriormente. Mas a voz que me orientava me desencorajou, ao dizer que nessa renovação de minha vida eu nasceria na mesma época e lugar, dos mesmos pais, com os mesmos irmãos, etc., mas não teria qualquer consciência de já ter vivido essa vida anteriormente. Então, isso de nada adiantará, pensei eu, porque não poderei refazer as coisas que entendi ter feito erradamente.

Nisso, a voz misteriosa, que eu sabia ser uma voz relacionada com as coisas definitivas e imutáveis, me explicou para onde me levaria a segunda opção, o caminho da direita. Levaria a novo nascimento, no momento atual, mas eu nasceria em qualquer país, em qualquer latitude e longitude do planeta Terra, filho de pais que poderiam falar inglês, português, chinês, ou qualquer outra língua. A única certeza era a de que eu nasceria, na própria época em que estávamos, no exato instante em que cruzasse a entrada do caminho da direita.

Antes mesmo que eu esboçasse a pergunta que almejava fazer, a voz me garantiu que também nessa hipótese eu não teria qualquer consciência de uma vida anterior. Então, imaginei eu, era como se eu de fato tivesse experimentado a morte apregoada pelos ateus, ou seja, o retorno ao Nada. Em breve haveria esse Nada, pensei, pois a mesma voz também me falou que eu não teria uma terceira opção quanto ao caminho a escolher, e tampouco poderia ficar naquele estado intermediário, a aguardar indefinidamente. Então me ocorreu o pensamento de que o filósofo Spinoza tinha razão, pois afinal o aniquilamento material logo me levaria à fusão panteística com o Todo universal, nada restando de minha individualidade, ao menos no nível da consciência. Comuniquei esse pensamento ao ente que me guiava, e ele concordou comigo. "É, o velho Spinoza estava mesmo com a razão..." - foi o que ele disse, não sem uma ponta de ironia.

Diante da situação, optei pela via da direita, porque ao menos seria uma vida diferente que eu viveria, embora inconsciente de uma vida anterior. Ao menos não haveria a "monotonia" de viver novamente a mesma vida que já vivera, sem qualquer oportunidade de interferência no meu destino e sem qualquer conhecimento de um passado referente a outra existência. Mas no íntimo eu acalentava, secretamente, a esperança de haver uma remota chance de que pudesse me aproveitar da experiência que já tivera em minha vida anterior...

Resoluto, dirigi-me ao pórtico do caminho da direita, e, logo que o transpus, um súbito clarão quase me cegou. A luz de uma radiante manhã penetrava pela janela que eu esquecera entreaberta antes de dormir; acordei com uma grande resplandecência me banhando o rosto suado.

 

Ilustração de Fernando Valverde

Atualizado em ( 07-Jul-2011 )