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Almoçando sentado com a Bibi Perigosa
Escrito por Jamil Alves   
25-Out-2017

bibi_perigosa_-_franklin_valverde.jpgQuando encontrei Fabiana no mercado, mal pude acreditar que era realmente a Fabiana do ginásio. O tempo muda demais algumas pessoas, e nem estou me referindo ao físico, mas sim ao aspecto comportamental. 

 

Fabiana era uma espécie de “Bibi Perigosa” das antigas, só que em versão mais amena, sem fuzil em punho – e todos a chamávamos de Bibi mesmo. Claro que não era nenhuma traficante, mas tocava o terror na escola. Punha apelido em todo mundo, era metida a valentona, especialmente com as meninas bonitas. Fabiana não era nada feia, porém creio que tinha uma visão deturpada de si mesma.

 

De qualquer forma, numa época em que o termo bullying nem existia, não me lembro nem soube de ninguém que tenha ficado traumatizado com as quizombas da Fabiana. Antigamente, parecia haver um esforço maior dos adultos em deixar para trás a criança que um dia foram.

Fabiana e eu nos encontramos casualmente no caixa do supermercado. Fomos esticando a conversa enquanto descíamos as esteiras até o piso térreo, onde há uma praça de alimentação com alguns restaurantes e cafés. É um mercado grande, de rede, aqui pertinho de casa.

Como era hora do almoço, eu a convidei para comer, e ela aceitou. Ao lhe contar que eu era jornalista e que escrevia para alguns veículos, seus olhos brilharam. Quando disse que amanhã tinha de entregar uma crônica para a Onda Latina, ela começou a me sugerir um monte de temas. Parecia uma criança desembestada a falar.  

 

Eu me senti lisonjeado por seu interesse, de certa forma. Afinal, era uma espécie de assédio que acontece apenas com jornalistas famosos. Com o zilhão de sugestões de temas autorreferentes que ela me deu, acabei tendo a cota de “minha vida daria um livro” de que eu precisava, de que todo jornalista precisa.   

 

A certa altura da conversa, Bibi começou a me contar que era dona de uma pequena fábrica de cadeiras que herdou do marido, falecido há pouco mais de dois anos num acidente de carro, e foi dessa informação aparentemente banal que me ocorreu um bom tema sobre o qual dizer algo.

O homem é um animal raro, das poucas espécies que comem e bebem sentadas. Nós apreciamos tanto essa posição que, não à toa, inventamos uma infinidade de objetos diferentes sobre os quais nos sentar: bancos, arquibancadas, cadeiras, tronos, sofás e até – pasmem! – as privadas.

Quando o assunto é comer sentado, abro mão, sem pestanejar, de minha condição de bípede. Detesto comer de pé. Não gosto de comer ereto nem agora, nem antes, nem nunca.

Junto com a moda do fast food, importamos “dos Istêitis” também a pressa e a falta de tempo para a comida. Como consequência, o que vemos em muitos lugares é gente comendo de pé à beira de um balcão, se alimentando ao estilo “come rapidinho e vaza porque tem alguém respirando na tua nuca”.

Mesmo fora do âmbito da alimentação, há uma moda de ficar de pé em certos espetáculos. A mais recente é a do estilo stand up de apresentação, com humoristas contando piadas de pé no palco. Isso sem falar nas grandes áreas descampadas, sem qualquer possibilidade de haver um assento que não seja o chão, que atraem multidões de jovens para shows dos mais diversos tipos, mas principalmente para os concertos de música eletrônica. Bem, eu... completamente fora.

Se é para ficar de pé, que seja em movimento. Se for para ficar parado, que seja sentado. Ficar parado de pé me dá agonia, aflição, gastura, uma sensação de fila, de vida que não anda. Mesmo quando era mais jovem, nunca fui de beber cerveja em pé nas portas dos bares, nas calçadas e nem no meio da rua como se vê hoje em dia perto das faculdades.  Um bom assento tem seu valor, e minha amiga Fabiana, que agora entende do assunto, disse que as cadeiras são o carro chefe da ergonomia contemporânea. Nessa parte da conversa, conseguimos uma mesa e terminamos nosso almoço tranquilamente, sentadinhos como deve ser. Pois sim, espero que Fabiana ganhe muito com suas cadeiras, e que, principalmente, essa onda de comer de pé passe. Será que passa?   

 

Atualizado em ( 25-Out-2017 )