2 de maio de 2026, dia em que nossa latinidade explodiu nas areias de Copacabana

Depois de Madonna e Lady Gaga, agora foi a vez da colombiana Shakira tomar a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para a realização de um megashow gratuito para algo em torno de dois milhões de pessoas.

As primeiras notícias sobre quem daria continuidade à sequência dos megashows de maio iniciados em 2024 na cidade maravilhosa (2024, Madonna; 2025, Lady Gaga), que parecem mesmo terem vindo para ficar e se tornar tradição, começaram a surgir como boataria, e, antes de Shakira, nomes como os de Beyoncé e de Kate Parry foram ganhando força. A confirmação de que seria Shakira a artista da vez no projeto “Todo Mundo no Rio” veio somente em fevereiro deste ano, poucos dias antes do Carnaval.

O espetáculo, com início previsto para as 21h45, começou com mais de uma hora de atraso e durou pouco mais de duas horas. Mesmo assim, a demora para iniciar não pareceu ter afetado a animação do público, em noite de poucas nuvens e de clima abafado numa Copacabana repleta de luzes e de euforia.

A diva colombiana, conhecida no Brasil desde 1996, abriu o show com um sucesso recente, parceria dela com o DJ argentino Bizarrap: La Fuerte, hit de 2024: “Otra noche más que paso sin verte, otra noche más que me hago la fuerte”, diz parte do refrão dançante. La Fuerte é mais uma, dentre outras diversas músicas de Shakira, na qual os temas recorrentes são as relações de amor e a valorização da mulher.

Mais que Madonna e que Gaga, Shakira investiu em participações de artistas brasileiros em seu show: a primeira delas contou com a presença da cantora Anitta. Juntas, Shakira e Anitta cantaram “Choka, Choka”, faixa feita em parceria entre as duas, constante do álbum Equilibrivm, da brasileira. A música é um hit dançante, cantado em português. A apresentação das duas divas, com figurinos dourados, lembrou, em muitos momentos, passagens do clipe de “Beautiful Liar”, de vinte anos atrás, em que Shakira e Beyoncé confundem os olhos de quem as vê.

Com Caetano Veloso, a colombiana cantou O Leãozinho (“Gosto muito de te ver, leãozinho, caminhando sob o sol. Gosto muito de você, leãozinho”), com excelente pronúncia de sons como o “ão” do leão e o “ze” do zinho, pedras escorregadias no caminho de quase todo estrangeiro que tenta falar português, mesmo que seja falante de uma língua mais próxima como o espanhol – aliás, Shakira fala português muito bem e cada vez melhor. Só derrapou na pronúncia do nome do ídolo, Caetano “Beloso*”, ao chamá-lo para subir ao palco, momento em que demonstrou estar bastante emocionada.

Com Maria Bethânia, Shakira cantou “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, em performance acompanhada pela bateria da escola de samba Unidos da Tijuca. Em certos momentos, as vozes das cantoras estavam dessincronizadas, o que rendeu críticas de fãs em redes sociais como X, instagram e facebook.  Com a amiga Ivete Sangalo, foi a vez de o público ouvir “País Tropical”, canção de Jorge Ben Jor. Shakira e Ivete já haviam dividido o palco antes, em 2011, no Rock in Rio daquele ano.

Shakira fez uma apresentação mais individualizada, no entanto, com menos momentos em que havia um corpo de dançarinos junto com ela – em comparação com o show de Madonna de 2024, por exemplo. E foram inúmeros os momentos em que a música deixava transparecer a ascendência árabe de que a cantora latino-americana tanto se orgulha. Além disso, os sucessos mais antigos, hits dos anos noventa e dois mil que consagraram a carreira de Shakira no Brasil, pareceram empolgar ainda mais o público presente: Antología, Estoy Aquí, Ojos Así, Pies Descalzos e La Tortura merecem menção.

Depois da performance de Waka, Waka – This Time for Africa, as luzes do palco se apagaram. Porém ainda havia mais um pouco de apresentação pela frente, e Shakira voltou para executar sua dançante Hips don’t lie, sucesso do álbum Oral Fixation Vol. 2, lançado em 2005 com músicas em inglês.

A noite de 2 de maio de 2026 entra para a história como a maior apresentação da exitosa e multifacetada carreira de Shakira – cujo nome significa “deusa da luz” ou “mulher cheia de graça**”. O megaevento da loba colombiana em solo carioca, iniciativa da prefeitura do Rio e de setores privados, foi transmitido pela Rede Globo de Televisão, pelo Canal Multishow e pela plataforma Globoplay.

Para 2027, ficam duas dúvidas principais: quem vai se apresentar e qual será a data escolhida, se o feriado de primeiro de maio ou se o sábado seguinte, dia 8 de maio de 2027. Obrigado, Shakira! – e nós, aqui, já estamos esperando o evento do ano que vem.

* em espanhol, as letras B e V costumam representar o mesmo som, quase sempre pronunciado de forma mais parecida ao B do português”.

** veja o vídeo “Um fenômeno chamado Shakira”, do nosso canal no youtube, feito pelo jornalista Franklin Valverde, com fatos e curiosidades sobre a carreira de Shakira: https://www.youtube.com/watch?v=iivxY7OZZpI

 

FOTO: reprodução de tela de tevê; Shakira no show de Copacabana em 2 de maio de 2026.